A Flórida é conhecida como um dos locais onde há um grande número de navios afundados para a criação de recifes artificiais, e um deles ficou famoso após um furacão passar pelo local e revirar o naufrágio por completo… o Spiegel Grove.
Ele estava de lado e virou para a posição de navegação, dando uma ideia do poder que um furacão possui. Fico imaginando a cara do primeiro divemaster mergulhando no Spiegel Grove após a passagem do furacão.
No mínimo deve ter se assustado com o que viu, pois é difícil imaginar um navio com todo esse porte se mexer para outra posição no fundo do mar.

O naufrágio
O Spiegel, assim como é chamando por lá, era um navio de guerra da marinha americana com 160m de comprimento e 11.525 toneladas.
Foi afundado em 10 de junho de 2002, mas infelizmente algo deu errado e o navio acabou indo para o fundo de lado. Em julho de 2005 o furacão Dennis moveu o naufrágio deixando-o em posição de navegação, ou seja, de pé.
Foi um susto e ao mesmo tempo, uma grande felicidade para os operadores que trabalharam duro para que o naufrágio fosse realizado.
Com todo seu passado histórico e agora, com essa notícia dele ter sido revirado, acabou aumentando a vontade em conhecê-lo de perto, pois como já havia visitado outros excelentes naufrágios por lá, e o Spiegel não deveria ser diferente.
Aproveitando a ida ao DEMA Show, a maior feira de mergulho do mundo e que naquele ano seria em Orlando, tive a oportunidade de descer de carro até a região de Key Largo, onde se encontra o Spiegel Grove.
Contatamos uma conhecida operadora de lá e deixamos tudo agendado. Com tudo acertado, chegamos cedo à operadora e partimos rumo ao Spiegel Grove, tendo navegação tranquila e com um grupo de mergulhadores brasileiros ansiosos para conhecer o naufrágio.

Mar calmo, água quente e transparente, e iniciamos a descida em um dos naufrágios do momento, e a primeira coisa que me veio à cabeça era… ele realmente é grande !
Seus 160m fazem do Spiegel Grove um gigante embaixo d’água, e aos poucos, fomos conhecendo sua estrutura externa e conhecendo também , sua famosa metralhadora antiaérea.
Durante o mergulho, começou a entrar uma corrente de razoável intensidade e tivemos que redobrar a atenção para conseguir regressar ao cabo que nos levaria até a embarcação na superfície.
Avistamos muitas barracudas e a vida marinha naquela época (2006) ainda estava em intensa proliferação no casco do naufrágio. Por lá é comum serem avistados muitos peixes de passagem.
A profundidade mínima gira em torno dos 14m, e a máxima chega aos 40m.
Após o mergulho chegamos à conclusão que para conhecer bem o Spiegel seriam necessários pelo menos entre 4 e 6 mergulhos sob condições ideais, pois ele é imenso e com muitos ambientes para serem visitados pelos mergulhadores.
Ao finalizar o mergulho, regressamos à superfície e fomos levados até French Reef, um recife de corais relativamente famoso na região Key Largo, onde a profundidade média girava em torno dos 12m, com vida marinha abundante e sendo um excelente local para fotografia subaquática.

Com quem ir
Na época utilizamos os serviços da operadora Ocean Divers, que já é bem conhecida pelos brasileiros e possui uma excelente estrutura.
A embarcação é espaçosa e confortável, além da operadora disponibilizar equipamentos para aluguel.
O site deles é oceandivers.com

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



