Naufrágios, histórias e a passagem dos nazistas pelo Brasil

As histórias sobre os nazistas sempre foi um mistério, e não é à toa, que encontramos muitos documentários mostrando a fuga deles para a América do Sul no final da Segunda Guerra Mundial.

Meu interesse sobre o assunto decorreu de um período em que atuei em um órgão público no Rio de Janeiro, onde a sede era num antigo edifício tombado pelo patrimônio histórico. No passado ele era o edifício do Deutsche Bank, ou Banco Alemão.

Inclusive já cheguei a relatar aqui no Brasil Mergulho um pouco sobre o histórico desse edifício, que possui (ou possuía) um dos quatro cofres produzidos pela fábrica alemã de tanques de guerra no mundo, a Panzer.

Neste cofre havia até uma passagem secreta para a fuga dos alemães, que nos dias atuais, era utilizada pelos membros do corpo político poderem sair escondidos dos jornalistas em momentos mais tensos.

 

Antigo banco alemão no Rio de Janeiro – Foto: Clécio Mayrink

 

O fato é que o Brasil foi um dos destinos de muitos militares nazistas, inclusive, membros da Kriegsmarine (marinha alemã), que buscavam se esconder por aqui, da caçada feita pelos países que ganharam a guerra.

Lembro da história de um amigo que residia na cidade serrana de Petrópolis, e que teve um vizinho bem estranho, um senhor já de idade avançada e que não dava muita conversa. O sujeito não falava com ninguém e fazia questão de não abrir espaço para cumprimentos. Um belo dia a bola de futebol de filho deste amigo acabou caindo no quintal da casa deste senhor, e após muitos anos de vizinhança, este senhor resolveu falar, e daí em diante passaram a conversar eventualmente.

Tempos depois este senhor faleceu, e meu amigo, de alguma forma soube onde o tal senhor estranho seria enterrado, e ao chegar à capela do cemitério, se deparou com o tal senhor já o caixão, trajando um uniforme nazista e sem ninguém no velório. Ninguém sabia dizer quem ele era, a origem e muito menos, quem havia pago todo o enterro. O tal senhor era um ex-militar nazista vivendo livremente no Brasil.

Ouro fato muito estranho, ocorreu durante a descoberta do naufrágio CT Paraíba pelo meu grupo de pesquisas de naufrágios no Rio de Janeiro. Meu grupo naquela época chamava-se Wreckfinder, e um dos objetivos era encontrar o submarino U-199 naufragado na costa desse estado. Diante da tamanha repercussão sobre a descoberta do naufrágio militar em nossas águas, muitas matérias foram publicadas pela mídia e mencionando nossos objetivos.

Uma das entrevistas marcadas com nosso grupo foi com um jornalista que se apresentou como sendo um jornalista de um conhecido jornal, porém, durante o evento, com seu sotaque estrangeiro, ele praticamente só queria saber o quanto tínhamos de informações sobre o submarino alemão naufragado e nossas buscas sobre o naufrágio em si.

Posteriormente descobrimos que ele não trabalhava no jornal, e sua identidade era falsa. Foi como se um espião quisesse saber o que tínhamos sobre o submarino alemão e se iríamos mesmo encontrá-lo.

 

Grupo Wreckfinder

 

Pesquisando naufrágios e o encontro de informações interessantes

Quando buscamos por informações nos antigos jornais, nos deparamos com muitas notícias de época bem interessantes.

Lembro de um caso que acompanhei nesses jornais, sobre donos de lojas de armas do Rio Grande do Sul relatarem às autoridades brasileiras que estavam achando estranho muitos estrangeiros de origem alemã, estarem comprando armas em grande quantidade durante um determinado período.

Os militares passaram a investigar o caso e chegaram em uma comunidade de alemães no Estado de Santa Catarina, onde praticamente, haviam criado uma cidade só para eles, chegado ao ponto de não permitir a entrada de pessoas de fora, obrigando aos militares a entrar na base da força. Veja a noticia aqui (0.8Mb).

No final, as armas foram recolhidas, mas ficou a sensação de que estavam preparando algo maior.

Anos atrás uma equipe da Polícia Civil no sul do país, estava passando de helicóptero por cima de um condomínio de casas e avistou uma piscina com o símbolo de uma suástica no fundo desta, o que é proibido em nossa legislação e de muitos países. O proprietário da residência foi preso, negou que o símbolo fosse uma suástica, e no final, acabou sendo liberado com a obrigação de retirar o símbolo.

Numa ocasião, moradores de um condomínio em Copacabana, no Rio de Janeiro, acionaram a polícia em razão de um forte odor proveniente de um apartamento, e quando foram ver, um homem havia morrido no interior deste, e foram encontrados muitos artefatos nazistas.

 

Nazismo na Argentina

É do conhecimento de muitos, que muitos militares nazistas foram parar na Argentina, que por sinal, o país possuía uma relação neutra com a Alemanha.

A polícia argentina já encontrou diversos locais com acervos de objetos nazistas sendo guardados na cidade de Buenos Aires, havendo inclusive, muitos documentos confirmando o ingresso de nazistas naquele país, e relatos de pessoas afirmando veementemente que viram Hitler em um veículo de comboio, indo em direção norte da Argentina.

É até de se estranhar por exemplo, a cidade de Bariloche, onde muitas pessoas falam o alemão por causa de suas origens obscuras.

Outro fato interessante é de um grupo de mergulhadores argentinos terem brigado na justiça por anos, a fim de obter uma autorização para mergulhar em dois naufrágios de submarinos alemães, que foram abandonados pelos nazistas e naufragados nas proximidades da cidade de Buenos Aires, em pleno Mar del Plata. Apesar de terem ganho na justiça a autorização, nunca conseguiram mergulhar nesses submarinos, pois quando comunicam à Marinha a data de mergulho no local e tentam mergulhar, acabam se deparando com alguma embarcação da marinha argentina acima do ponto de mergulho e impedindo a visita ao local, sob alegação de estarem em treinamento militar.

 

Uma tese

Um grupo de pesquisadores e documentaristas realizaram uma análise aprofundada sobre os últimos momentos de Hitler, e ao que tudo indica, ele veio para a América do Sul escapando do edifício que se encontrava na Alemanha em plena guerra, utilizando uma saída secreta subterrânea que chegava até um pequeno aeroporto. Esta saída ainda existe e atualmente pode ser acessada por uma estação de metrô.

De avião, Hitler teria voado até a região de Vigo, na Espanha, que também tinha uma relação neutra com os alemães durante a guerra. De lá, ele teria pego um submarino e vindo até o nordeste brasileiro onde ficavam os navios denominados “vaca leiteira”, que abasteciam os submarinos que navegavam em nossa costa.

Lá, ele teria trocado de submarino e desceu até Buenos Aires, ingressando na Argentina e viajando para o destino final para se esconder e tentar fundar um novo Reich, ao norte daquele país ou em alguma área ao sul da Bolívia.

Parece loucura, mas há muitos relatos quanto à presença de militares alemães nessa região, muitas comprovações nazistas, como diversos objetos alemães encontrados nas florestas.

Talvez um dos locais mais “sinistros”, seja a casa em uma ilha a qual ninguém podia (ou ainda não pode) chegar próximo.

Existe um documento oficial no FBI e que até alguns anos era secreto, relatando a presente de Hitler em solo argentino. Clique aqui e veja o documento original em inglês (6.5Mb).

 

Submarinos na costa brasileira

Infelizmente há muita informação desencontradas sobre os submarinos alemães em nossa costa. A mídia no passado publicava muita informação incorreta sobre os conflitos históricos.

Após ter lido muitas notícias dos jornais de época, acredito que principalmente nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, os u-boats estavam descendo diretamente até a Argentina, trazendo o alto escalão dos militares alemães, e ao regressar até o nordeste brasileiro para o reabastecimento, acaba realizando o afundamento dos navios em nossa costa, com a intenção de não chamar a atenção das missões.

Hoje sabemos que na costa do Brasil, alguns destes submarinos estão lá para serem descobertos, mas será que não exista algum tipo de preocupação por um grupo de pessoas que não querem que esses naufrágios sejam encontrados ?

Isso poderia mudar a história ?

Sabemos que o u-boat U-513 foi encontrado pela família Shurmann em 2011, há pessoas com o indicativo de posicionamento do U-199 a 90Km da costa e aos 114m de profundidade, e na costa do nordeste, em tese, estão os submarinos mais promissores à receberem mergulhadores, pois há o relato do encontro de um deles na faixa dos 90m de profundidade e do U-128 aos incríveis 27m. Saiba mais através da entrevista com a Major Elza Cansação Medeiros.

Acredito que o encontro deles será uma questão de tempo com o avanço da tecnologia em mergulho e no processo de sondagem submarina, se levarmos em consideração que já encontramos sondas multifeixe de alta resolução custando apenas US$ 500 no exterior.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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