Nautilus Lifeline – Proteção e segurança para o mergulhador

Que mergulhador não assistiu ao filme Mar Aberto, onde mostra dois mergulhadores que foram esquecidos por uma operadora de mergulho em alto mar, e não cogitou em passar pelo mesmo problema ?

Mergulhar com segurança é tudo o que buscamos em nossa atividade, e ter uma preocupação a menos, é sempre melhor do que arriscar toda a preparação de equipamentos, viagem e o bem estar de todos.

 

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Pensando nisso, Mike Lever, um capitão de um dos liveaboards mais famosos e experientes na América do Norte, decidiu criar uma alternativa que estivesse ao alcance de todos os mergulhadores, pois a idéia de deixar um mergulhador por trás, acabava sempre o deixando acordado à noite

“Apesar de todas as boas intenções, as coisas acontecem”, diz Lever. “Quando isso acontece, geralmente é o resultado de algo dolorosamente simples. Talvez um mergulhador esteja apenas 100m da popa, porém, o mar pode não estar calmo o suficiente para conseguirmos vê-lo ou pode haver uma corrente muito forte para ele consiga retornar até a embarcação. Se o mergulhador é capaz de sinalizar ao barco, tudo ficará mais fácil.

 

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Em 2010, lançamos um novo produto e revolucionário em segurança voltado ao mergulhador. Ele foi introduzido no mercado e oferece a capacidade de enviar um sinal de socorro e permite a comunicação com as embarcações próximas. Esse equipamento chama-se Nautilus Lifeline.”

Segundo Lever, ele passou anos buscando possíveis soluções para ajudar ao mergulhador perdido e distante de um local seguro, e chegou à conclusão que um rádio VHF marítimo com dados GPS, poderiam resolver o problema. Praticamente quase 100% das embarcações possuem rádio VHF e utilizam o canal de emergência internacional.

Aliado a isso, a Comissão Federal de Comunicações ou FCC dos Estados Unidos, passou a exigir aos fabricantes de rádios VHF, que o protocolo de Chamada Seletiva Digital (DSC) fosse obrigatória em todos os rádios comercializados por lá. Isto ocorreu meados de 2002 e significa que qualquer rádio adquirido após essa data, muito provavelmente serão compatíveis como protocolo DSC.

Cada rádio DSC é codificado com uma identificação de nove dígitos denominado Identificação do Serviço Móvel Marítimo (MMSI) que funciona como um número de telefone celular. Uma vez registrado, a informação é inserida no banco de dados guarda costeira e utilizado em todo o mundo.

Rádios DSC são capazes de enviar um sinal de emergência (mayday) que identificam o rádio e proprietário. Caso o rádio possua um GPS e esteja ativado, ele também enviará a localização do solicitante que está em emergência.

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O Nautilus Lifeline

O rádio Nautilus Lifeline é um pequeno rádio VHF compatível com o sistema DSC, num corpo compacto e impermeável, não muito maior que um celular. Com a forma de concha fechada, esse equipamento pode ser usado até os 130m de profundidade, sendo à prova d´água até 1m de profundidade contra possíveis respingos d´água na superfície.

Ele possui uma antena que é desdobrada e colocada em pé quando o mergulhador utiliza o rádio. Há três botões para a realização de comunicação, configuração e envio do sinal de emergência.

 

Funções

  • Botão de Conversação – Permite a conversação com a embarcação, sendo possível selecionar um canal específico ou para falar com outros mergulhadores;
  • Botão de Chamada – Este botão permite a comunicação com o barco, porém,  ele utiliza automaticamente o canal 16, que é o canal de emergência internacional;
  • Botão de Socorro – Pressionando esse botão por 3 segundos, é iniciada a transmissão DCS emergencial, que enviará uma mensagem solicitando socorro e informando a localização GPS do mergulhador aos demais rádios de comunicação que estejam na região, num raio de até 12.5Km;
  • LCD – Na lateral do equipamento, há um LCD que exibe a localização GPS do mergulhador e informações como o canal que está sendo utilizando, nível da bateria e outros dados importantes;
  • Alto-falante / Microfone – Permitem ao mergulhador falar com outros rádios e escutar o que os demais estão falando;
  • Sinalizador – O equipamento possui uma luz branca que fica piscando durante alguns segundos para efeito de sinalização;
  • Entrada USB – Usada para carregar a bateria e realizar as atualizações do software quando conectado ao computador. Permite também, registrar os locais de mergulho para o Google Maps e outras opções avançadas;
  • Bateria – O rádio utiliza uma bateria de Lítio 1850 mAh proporcionando 24h de energia.

 

Características

Peso 280g
Dimensões 2.6″ w x 5.72″ h x 1.8″ d
Voltagem 3.7V DC
Capacidade 1850 mAh Li-ion
Potência de RF 1.85 Watts + 0dB / -3.5dB
Média de RF 1 Watt
Desvio Máximo +/- 5KHz
Saída de AF 400 mW @ 8 Ohms para 10% THD
Módulo GPS Jupiter 3GPS
Alcance do DSC 12.5km
Alcance de Voz 7 – 9Km
Conector de Antena SMA
Impedância da Antena 50 Ohms
Alcance de RF 1 Watt
Estabilidade de Frequência +/- 10ppm
Alcance de Frequência 156.025 MHz – 157.425 MHz
Espaçamento de Canais 25 KHz

 

Uso

Para usar o equipamento, o mergulhador deve fixá-lo em um colete BC, para ter fácil acesso ao rádio. No meu caso, aproveitei uma pequena alça de amarração existente no próprio rádio, e coloquei um pequeno cabo de nylon com um mosquetão em inox. Dessa forma, coloco ele no bolso do BC e fixo o mosquetão em um dos D´Rings dele, pois caso o rádio saia do bolso do BC, ele não será perdido por estar ligado ao BC pelo cabo de nylon.

Para usá-lo, o mergulhador deve alcançar a superfície, destravar a tampa de proteção superior e ligá-lo. Após o uso, fechar novamente essa tampa e travá-lo.

 

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Depois do mergulho, como o equipamento é estanque, basta lavá-lo com água doce e recarregar sua bateria pelo menos uma vez ao mês, usando ou não o equipamento, a fim de manter a bateria ativa.

O Nautilus Lifeline é diferente de qualquer outro dispositivo de segurança existente hoje no mercado, utiliza a tecnologia de segurança marítima moderna e de baixo custo.

Acabei adquirindo uma unidade e realizei alguns testes na Laje de Santos, no litoral de São Paulo. A comunicação foi perfeita com a embarcação, e certamente, meus mergulhos passaram a estar mais seguros e tranquilos tendo esse equipamento em mãos, principalmente quando levamos em consideração que a Laje de Santos está a 40Km da costa e eventualmente sofre com correntes mais fortes.

O único ponto que ainda é preciso solucionar, é quanto ao uso do MMSI no Brasil, pois infelizmente a Anatel desconhece o equipamento e não conseguir confirmar, se algum outro mergulhador conseguiu realizar o cadastramento do equipamento junto ao órgão. Sendo assim, o equipamento só funciona como um rádio comunicador, sinalizador e GPS, mas acredito que isso deverá ser resolvido muito em breve, por ser uma questão burocrática apenas.

Para mais informações, consulte www.nautiluslifeline.com

 

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Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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