Mergulhar e assistir a vida marinha em seu ambiente natural é uma das coisas que atrai os mergulhadores, mas infelizmente alguns deles parecem esquecer quando o instrutor mencionou nos cursos, que não se deve tocar ou incomodar a vida marinha.
Quem nunca teve vontade de tocar em um coral ?
De fato, os corais são realmente muito bonitos, mas tocá-los pode ser prejudicial ou até matá-los.
Um toque humano é como um veneno para este ser marinho. Uma simples natação muito próxima deles pode ser o suficiente para criar uma pequena onda que pode alterar as camadas de sedimentos logo abaixo, reduzindo as habilidades fotossintéticas dos corais e de pequenos animais, aumentando as chances de danos. Quebrar um pequeno pedaço de coral causará danos que não serão reparados durante a sua vida !

Por esses e outros motivos, o mergulhador deve estar com seus equipamentos bem configurados, evitando nadar com itens soltos como uma “árvore de natal”, além de manter uma boa flutuabilidade com seu colete, evitando a todo o custo, possíveis toques nos seres subaquáticos.
O peixe baiacu é suscetível a danos humanos. Alguns mergulhadores chegam a pegá-los e agitavam esses animal para os lados, fazendo-os inchar como uma bola de futebol.
O animal incha como forma de defesa contra predadores, mas para criar esse efeito, esses peixes se enchem de água, e infelizmente isso pode reduzir significativamente a vida desse animal, porque ele não é efetivamente preparado para ficar realizando esse tipo de procedimento.
Muitos peixes também são incapazes de digerir a comida humana, e a alimentação inadequada pode causar danos internos levando-os à morte, então, jamais devemos alimentar os peixes. Especialistas conhecem a dieta alimentar dos animais, e somente eles devem realizar esse tipo de procedimento.
Outro aspecto importante, é que não somos integrantes do meio subaquático, logo, os animais muitas vezes estranham nossa presença nas redondezas, e seguir e/ou correr atrás deles, pode gerar estresse, criando assim o efeito inverso e fazendo com que os animais corram para longe dos mergulhadores por receio de que possamos ser uma ameaça de morte para eles.
Você deve lembrar que não somos seres subaquáticos e devemos respeitar a residência desses animais, não realizando toques, dando alimentos e principalmente chacoalhando os baiacús.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



