Recentemente circulou nas redes sociais e nos principais meios de comunicação, a notícia sobre o aparecimento de raias mantas no portinho de Fernando de Noronha, o que chamou a atenção de vários turistas todos as noite até o local.

O comportamento alimentar das raias gigantes de Noronha há anos já vem sido observado pela equipe do Mantas do Brasil e nossos cientistas parceiros, em diversos pontos da ilha.

Luz da morte

A grande dúvida entre os profissionais, era que só agora os animais começaram a fazer isso no porto, quase que diariamente e à noite ?

Após uma forte ventania, um holofote, instalado para uma obra no porto, girou de posição e passou a iluminar diretamente a água. A forte luz atrai plâncton, pequenos peixes e, consequentemente, as mantas – que normalmente se alimentariam mais afastadas da costa.

Condicionar animais a irem todos os dias a um mesmo lugar para comer já é uma forte interferência humana. Mas, o pior, é que o local em questão é um porto, repleto de cabos, motores de barcos, petrechos de pesca e diversos perigos que elas precisam cruzar para chegar às pedras do mole – mais uma ameaça –, onde a luz está posicionada.

Diante dos relatos, a equipe de campo do Mantas do Brasil, coordenada pelo biólogo Leo Francini, foi a Noronha, no início de setembro, para analisar este comportamento, verificar se os animais estavam saudáveis, fazer imagens e coletar amostras. E a conclusão é clara: a luz deve ser desligada. A situação é tão preocupante que foi enviado um parecer técnico ao ICMBio, autoridade responsável pela gestão do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, solicitando que tomem providências para o desligamento das luzes.

Comparando registros dos mesmos animais antes e depois da iluminação na água, foram encontrados cortes, arranhões, anzóis presos e outros ferimentos. O mais grave foi o caso da manta Lucca, um macho juvenil avistado pela primeira vez em janeiro deste ano e que frequentemente aparece para os mergulhadores – desde então já temos mais de 15 registros dele. Além de estar com a pele esfolada em diversos pontos, provavelmente por roçar nas pedras para se alimentar, sofreu um enorme ferimento do lado direito do corpo, que vai do dorso ao ventre, pega a nadadeira cefálica, as fendas branquiais, os órgãos reprodutores e que machucou profundamente a nadadeira peitoral e a cabeça. Tais marcas indicam que ele ficou preso em uma poita. Poderia ter morrido, mas conseguiu lutar e escapar.

Colaboração: Mantas do Brasil

Marcella Duarte (Contato para imprensa)
marcelladuarte@gmail.com
(11) 97140-0740

Por:

Redação

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