Anualmente tomamos ciência de relatos de mergulhadores perdidos no mar, normalmente por terem sido pegos por alguma corrente que os levou para longe da embarcação. Isso acontece no exterior e já ocorreu algumas vezes no Brasil, e em razão disso, surgiram algumas alternativas para evitar esse tipo de problema, na tentativa de interligar os mergulhadores as embarcações de mergulho com algum tipo de equipamento.
Uma das alternativas foi o lançamento do Nautilus Lifeline, que é um rádio VHF com GPS, permitindo ao mergulhador entrar em contato com a embarcação e informar sua localização GPS. Ele possui uma característica denominada MMSI, também conhecido como PLB (Personal Locator Beacon), que ao ser acionado, permite a localização do mergulhador através de uma rede de monitoramento global via satélite através do sistema COSPAS-SARSAT. Infelizmente o MMSI do Nautilus não funcionava e o simples cadastramento do mergulhador no sistema já era um transtorno para quem desejava habilitar o serviço, e coisa não foi para frente.
A fabricante do Nautilus até lançou uma nova versão utilizando o sistema AIS, mas o mercado não aceitou tão bem o produto por ter grandes limitações.
Posteriormente surgiram novos PLB’s que informam a localização precisa do solicitante de resgate, mas eles possuíam grandes dimensões e que inviabilizavam a adequação para o uso pelos mergulhadores.
A tecnologia avançou e atualmente já encontramos novos modelos de localizadores com pequenas dimensões e, que provavelmente, a grande maioria dos mergulhadores vai usar em razão dos benefícios que esses produtos podem oferecer.

Spot e Garmin inReach
Sem dúvidas, a empresa mais famosa e pioneira nesse mercado é a Spot, que detém hoje grande parte do mercado de localizadores para esportistas em geral, equipamento mais encontrado no mercado.
Hoje a última versão do Spot possui pequenas dimensões (8.7 x 6.5 x 2.5cm) e é sem dúvida, um equipamento mais do que testado e com eficácia comprovada, permitindo inclusive, enviar mensagens programadas via satélite, além do monitoramento remoto através do sistema Globalstar de satélites.
Agora, a Garmin entrou nesse mercado e lançou recentemente o inReach, que é um localizador com dimensões também muito reduzidas (5.7 x 9.9 x 2.61cm) e que utiliza o sistema Iridium de satélites, chegando a caber em um bolso de camisa inclusive.
Comparativo
Spot
- Tela de LCD: Não
- Peso: 114g
- Temperatura: -30 a 60C
- Altitude: -100 a 6.500m
- Umidade Máxima: Até 100% (Condição 3)
- Resistência: Poeira e até 1m de profundidade por 30min
- Bateria: 4 pilhas AAA
- Duração: Até 1.250 mensagens
- Rastreamento: A cada 2.5. 5, 10, 30 ou 60 minutos
- Envio de SOS: Sim
- Mensagem Programada: Sim
Garmin InReach
- Tela de LCD: Sim (23 x 23mm)
- Peso: 100g
- Bateria: 35 horas
- Resistência: Poeira e até 1m de profundidade por 30min
- Envio de SOS: Sim
- Mensagem Programada: Sim
Custos
O custo médio de um Spot nos Estados Unidos gira em torno dos U$ 150, já o InReach da Garmin U$ 359. O Spot já possui representação no Brasil e pode ser facilmente adquirido. A diferença entre eles em termos de custo é realmente gritante, mas o InReach tem um diferencial… já existe caixa estanque para mergulho do próprio fabricante.
Infelizmente são poucas as caixas disponíveis no mercado para o Spot, sendo até complicado encontrá-las, mas o fato do Garmin InReach possuir uma caixa estanque faz toda a diferença, até porque ela suporta até os 100m de profundidade e custa U$ 49.99 nos Estados Unidos.
Em ambos os casos, é preciso contratar um serviço que pode ser mensal ou anual, havendo poucas diferenças de custo entre eles.
Review
Segundo um review de um especialista, o InReach tem alguns diferenciais fazendo com que ele tenha mais benefícios que o Spot. São eles:
- O Spot Gen 3 não recebe mensagens – Você só pode enviá-las e fica sem saber se foram recebidas ou não;
- Ao testar, apenas 3 das 4 mensagens foram realmente enviadas;
- Spot tem atendimento ao cliente horrível;
- Você precisa bloquear uma assinatura mensal ou anual se você não usar;
- A cobertura de satélites é diferente, e a rede de satélites Globalstar usada pelo Spot, não tem uma cobertura tão boa quanto o Iridium.
De certa forma, agora os mergulhadores já podem ir para locais remotos e ficarem mais tranquilos quanto à segurança.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



