Recentemente surgiram na internet, discussões entre mergulhadores quanto ao uso de spray de silicone em equipamentos de mergulho.
Se o procedimento seria correto ou não, e a origem disso tudo se deu porque alguns “profissionais” estão utilizando um spray de silicone na manutenção de reguladores de mergulho.
Quando falamos de spray de silicone, é preciso compreender os dois tipos disponíveis no mercado: O modelo com dispositivo mecânico e o com propelente.

Dispositivo Mecânico
O modelo ideal para mergulho são os sprays com dispositivo mecânico, e ainda assim, dependendo do equipamento onde será usado.
Por exemplo, alguns reguladores são preparados para serem usados com misturas Nitrox e Oxigênio 100%, e eles tem suas peculiaridades.
Os sprays com acionamento manual, são os sprays com dispositivo de acionamento encontrados em frascos de perfume.
Quando o usuário pressiona o botão na parte superior do frasco, ele aciona um pequeno sistema que cria uma pressão interna, fazendo com que ocorra a expulsão do conteúdo líquido em forma de vapor para fora do frasco.

Aerossol com Propelente (Solvente Orgânico)
Latas de spray onde o usuário pressiona o pequeno botão e sai o vapor em forma de jato bem forte, não deve ser usado em reguladores de mergulho e devem ser evitados em produtos de plástico e borracha.
Este sistema utiliza solventes orgânicos, tendo esse nome, por serem derivados do petróleo e constituídos por longas cadeias de carbono. Tendo forma líquida no interior da lata, ele é o responsável pela diluição e por exalar o silicone para o exterior da lata em forma de vapor.
Justamente por se um derivado do petróleo, ele se torna um risco para equipamentos limpos para Nitrox e Oxigênio 100%. Além disso é importante lembrar que solventes orgânicos apresentam um perigo: a combustão.
Outro aspecto pouco conhecido, é que ao ser aplicado em locais onde são colados os selantes de roupa seca, ele poderá dificultar ou até impossibilitar que uma nova cola seja fixada no local.
Justamente pelos riscos que os sprays com propelente oferecem, é que normalmente só encontramos sprays com dispositivo mecânico para equipamentos de mergulho. Até há alguns modelos de sprays com propelente para mergulho, contudo, são específicos para equipamentos que não tenham riscos com derivados de petróleo.
Essa questão é básica no meio técnico e justamente pelos riscos que os solventes orgânicos contidos nos sprays de lata oferecem, é que encontramos em alguns manuais técnicos dos fabricantes de equipamentos de mergulho, a recomendação para não utilizar sprays de propelentes.
No caso dos reguladores, o correto é sempre substituir o o-ring e/ou usar o produto Christo Lube, que muitos acabam não usando, por ser importado e caro.
Se o seu técnico continua usando esse tipo de spray, é melhor você mudar de “profissional”, porque o procedimento é básico e ele deveria saber disso.
Abaixo você pode visualizar algumas mensagens contidas em manuais técnicos de diferentes fabricantes, alertando para não usar spray:


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



