Voar com Drones no mar – Dicas importantes

Frequentemente realizo alguns voos com meu drone acima do mar, e muitas pessoas me questionam sobre os riscos que esse tipo de voo acarreta, e de fato ele é arriscado, e o piloto precisa estar atendo para alguns aspectos importantes.

Restrição de Voo

A primeira coisa que deve ser observada antes de voar, é saber se existe algum tipo de proibição quanto ao voo no local onde se pretende voar. Algumas áreas foram categorizadas como reserva de proteção ambiental e requerem autorização especial para voar, e um desses locais é a Laje de Santos, no litoral de São Paulo.

Essas proibições visam resguardar o ambiente, para que não ocorram danos causados pelo impacto do drone contra os animais, como os pássaros, por exemplo. A queda de um drone na água, também pode causar danos por causa dos elementos químicos contidos na bateria de lítio usada pelo drone, e em razão disso, somente com permissões especiais um piloto pode voar nesses locais, pois ele precisa ser experiente e habilidoso com a aeronave.

Vento

Outro aspecto importante são os ventos fortes. Os drones conseguem suportar bem esses ventos, mas voar sob forte ventania, vai exigir muito mais da máquina, forçará demais o gimbal responsável pela estabilização das imagens e tornará mais complicado os procedimentos de pouso.

Minha recomendação é não voar com essa situação.

Talvez os ventos sejam o maior fator de risco para um piloto de drone, sendo muito comum, o piloto ter dificuldades no retorno do drone ao ponto de decolagem por causa da mudança repentina da direção do vento.

Na ida o drone vai com uma determinada velocidade, mas na volta, acaba pegando um vento contra, fazendo com que o retorno seja muito mais lento, e levando em consideração que as baterias dos drones não duram muito tempo, ela pode acabar em pleno voo fazendo com que o drone pouse na água ou até mesmo, despencando pela queda brusca da energia da bateria.

A principal dica para um piloto que venha passar por esse tipo de situação, é diminuir ao máximo a altitude em que o drone se encontra, na tentativa de escapar das fortes rajadas de vento. Isso fará com que o drone ganhe velocidade e retorne mais rapidamente e em segurança ao ponto de pouso.

Foto: Clécio Mayrink

Decolagem e pouso

Como normalmente as embarcações possuem espaço limitado, voar com um drone decolando a partir de uma embarcação pode ser uma tarefa complicada, até porque com o balanço do mar, o procedimento se torna mais arriscado. Com essas dificuldades, acabei adotando a decolagem e pouso usando a mão como base.

Com uma das mãos seguro o drone e com a outra, realizo o acionamento dos motores através dos stikers (comandos), fazendo com que o drone ganhe altitude. No regresso, baixo o drone até uma altura que eu consiga pegar com uma das mãos e faço o desligamento dos motores com a outra.

Um acessório primordial nesse tipo de voo são os colares de fixação do controle remoto, pois ele permitirá ao piloto ficar com as mãos livres, caso precise delas para algo inesperado.

Antes de realizar esse tipo de procedimento, você deve treinar bastante essa ação em um local seguro, para estar apto a decolar e pousar usando somente uma das mãos, a fim de evitar que o drone tenha algum tipo de colisão contra a embarcação ou com alguma parte de seu corpo, caso contrário, as pás dos motores do drone poderão causar danos ou ferimentos sérios, e acreditem, os cortes são profundos. Já vi gente sofrendo esse tipo de acidente por imperícia e a pessoa precisou receber pontos em um hospital para fechar o ferimento.

Além disso, como o procedimento é mais complicado do mar, aumente a segurança retornando com um nível maior de carga da bateria. Jamais deixe a bateria alcançar o nível crítico, pois situações inesperadas podem ocorrer, e você pode acabar precisando de mais tempo que o normal para regressar com o drone, caso contrário, a bateria pode se esgotar e acabar tendo problemas.

Se houver uma pessoa apta para pegar o drone durante o pouso, você deve tomar cuidado, pois normalmente ninguém sabe como segurar um drone em pleno ar, e a ajuda por uma pessoa sem treinamento poderá resultar em acidentes. Drones da linha Phantom da DJI, obrigatoriamente devem ser seguros pelos dois suportes de pouso, caso contrário, ao segurar em um deles somente, o drone vira de lado e causará ferimentos no braço da pessoa.

Registro de Home Point com o GPS

Também é primordial que antes de levantar voo, seja registrado a localização GPS do ponto de decolagem, para ser usado no caso de uma perda de sinal, o que permitirá ao drone retornar em segurança. Do contrário, ele poderá vagar por aí até cair.

Retorno ao Home Point  X  Retorno ao local do piloto

Eventualmente você pode acabar tendo que decolar com o drone e retorná-lo para um ponto de pouso em um local diferente da decolagem. Normalmente no painel de configurações do drone, há uma opção onde se configura o que o drone deve fazer caso venha perder o sinal ou porque o piloto deu o comando de retorno.

Se você está em uma embarcação em movimento, é importantíssimo selecionar como ponto de retorno e pouso, o local onde o piloto se encontra.

Já decolei algumas vezes com meu drone no mar e captando imagens da embarcação em movimento, com isso, navegamos aproximadamente 2Km. Se houvesse a perda de sinal ou fosse dado o comando de retorno ao ponto onde o drone decolou, ele retornaria os quase 2Km e tentaria pousar, e como não estaria por lá, o pouso seria na água !

Por isso, é de suma importância selecionar como ponto de retorno para pouso automático, o local onde o piloto se encontra, pois o GPS contido no controle remoto, sempre informa a localização do piloto, e o drone utilizará a última informação GPS para regressar.

Aves marinhas

Alguns tipos de aves nem ligam para a presença de um drone, contudo, algumas poucas se sentem incomodadas pela presença desses equipamentos e passam a voar muito próximo e até dando rasantes. Em casos mais raros, podem uma ave dessas pode até ir contra ele, e certamente cairão os dois… o drone e a ave.

Procure saber o tipo de animal que normalmente vive na área onde se pretende voar e fique atento a presença deles. Se elas passarem a voar muito próximas ao drone, chegando inclusive a ir atrás dele, a melhor coisa a ser feita é parar de voar, porque as chances de um animal desses ocasionar um acidente será grande. Além do dano ao animal, haverá grandes chances de prejuízo com a perda do drone.

Ter uma pessoa observando o drone e verificar se alguma ave se aproxima, ajuda bastante.

Foto: Clécio Mayrink

Claridade do Sol

O excesso de luz provocado pelo sol pode atrapalhar bastante a operação de um drone no mar. Se você utiliza apenas um celular ou tablet para receber as imagens enviadas pelo drone, recomendaria o uso de um chapéu grande e que faça sombra na tela de LCD, para tentar melhorar a visualização das imagens e as configurações em tempo real enviadas pelo drone.

Procure aumentar o brilho da tela LCD para ganhar qualidade de imagem e fique atento a carga da bateria sempre !

Um acessório simples de ser usado e que ajuda bastante é o sunshade, que cobre as laterais da tela LCD, melhorando a visualização das imagens na tela. Considero como o melhores modelos, os sunshades fabricados pela empresa PGY Tech, encontrados facilmente na internet.

O uso de óculos parecido com óculos virtuais é o recomendado. A DJI possui o DJI Goggles, que não é caro, funciona bem e você consegue enxergar muito melhor as imagens e os dados de voo.

O uso de filtros ND pode ajudar na qualidade das imagens, eliminando o excesso de luz solar. Se o seu drone é um DJI, há uma infinidade de filtros disponíveis para a compra, e um simples filtro ND do tipo 8, vai ajudar bastante contra o excesso de luz e no contorno das imagens mais claras, como nuvens, por exemplo.

Foto: Clécio Mayrink

Caixa de proteção para o drone

É muito importante manter o drone e demais equipamentos em uma caixa que resista a água. Como sou um amante das caixas Pelican, atualmente tenho duas caixas dessas, sendo uma para o drone e outra para os óculos. Além de proteger contra impactos, essas caixas também protegem contra respingos e possíveis quedas na embarcação por causa do balanço do mar mar e passagem das pessoas.

Levando em consideração que o drone e seus acessórios são itens sensíveis, ter uma boa proteção garantirá que eles retornem para casa de forma segura e livre de problemas.

Perda de sinal em pleno mar

Isso era inimaginável para mim até eu ter a minha primeira vez, pois todos imaginam que estando no mar, não ocorrerão interferências, mas elas podem ocorrer por diversos fatores desconhecidos. Condições do tempo, sol, metais e por aí vai.

Diante dessa possibilidade, é importantíssimo manter a calma, pensar, para depois agir.

Jamais se desespere e tome as ações sem cautela.

Lembre-se antes de voar, de configurar o ponto de retorno como sendo o local onde o piloto se encontra e retorne sempre com o nível de bateria acima do nível de segurança. Esse tempo maior de bateria pode fazer a diferença de um pouso seguro ou na água.

Foto: Clécio Mayrink

Clipes de Segurança

Normalmente os drones possuem algumas peças plásticas chamadas “clipes de segurança”.

Esses clipes servem para fixar o gimbal responsável pelas imagens estabilizadas e evitar que ocorra algum tipo de problema com essa peça. Ela é extremamente sensível e o cabo flat, que é responsável pelo envio de dados para a placa mãe (CPU) do drone, é ainda mais sensível, caro e difícil de ser achado para a substituição.

Assim que você pousar o drone, jamais o guarde sem esses clipes de segurança.

Altura mínima de retorno

Quando o drone entra em RTH (Return To Home – Voltar Para Casa), seja de forma automática ou manual, ele irá alcançar a altitude pré-configurada, antes de seguir em direção ao ponto de pouso, sendo muito importante, você configurar a altitude mínima que ele deverá alcançar antes de seguir em frente, para não colidir contra algum obstáculo.

Como estamos falando de voar no mar, você pode estar voando no outro lado de uma ilha, e nesse caso, será crucial saber a altitude desta ilha para configurar a altitude mínima de RTH e evitar que o drone ao retornar, tenha a possibilidade de bater na ilha, por exemplo.

Sensores de colisão e pouso seguro

Sensores de colisão tendem a apresentar falhas quando estão voltados para o sol, ocasionando falsos alarmes de impacto. Além do stress de estar voando e repentinamente tomarmos sustos com esses alarmes de impacto, não faz sentido usá-los em pleno mar.

No caso do sensor de pouso em local seguro (plano), se você vai decolar e pousar usando a mão como base, este sensor vai atrapalhar seu pouso, pois ele vai interpretar sua mão como sendo um obstáculo, e automaticamente ele irá levantar uns 2m, mesmo com você dando o comando para descer. Então, ele ficará subindo e descendo, e você não conseguirá aproximá-lo. A melhor coisa é desabilitar este sensor.

Não fique próximo da água de lagos, piscinas e do mar

Sensores de segurança dos drones não se dão bem com lagos, piscinas e com o mar. Como as leituras são feitas por emissores de onda acústica do tipo doppler, o drone recebe dados incorretos e inúmeros drones foram perdidos por se aproximarem demais da água. De uma hora pra outra ele desce até atingir a água, e normalmente a perda é total.

Leia o manual e entenda por completo do funcionamento do drone

O drone é considerado uma aeronave e não se pode usá-lo sem ler e compreender por completo o funcionamento dessa máquina.

Mais de 95% das perdas de drones são por imperícia, e na maioria dos casos, o piloto não sabe pilotar adequadamente o drone, simplesmente porque não leu o manual, não consegue dar os comandos adequados ou não consegue interpretar o que a aeronave está lhe informando.

Numa ocasião salvei o drone de uma pessoa, porque o drone estava pousando na água de forma automatizada, e a pessoa em questão, acreditava que a bateria estava perdendo carga e fazendo com que o drone fosse descendo, quando na verdade, o drone estava no processo de pouso forçado, porque a bateria havia atingido o nível crítico (abaixo de 10%) e ele pousa automaticamente onde está para tentar evitar a sua perda, só que no mar, ele pousaria na água e seria perdido.

A pessoa estava voando sem se preocupar com a bateria, e sem habilidade para interpretar o que o drone havia informava.

Resumindo, falta de treinamento e conhecimento da máquina.

Conclusões

Atualmente possuo mais de 2.000 horas voadas com meu drone, sendo alguns deles realizados em uma montanha a mais de 4.000m, noturnos, e mais de 150 horas no mar. Isso não me livra de acidentes, mas cada voo é um aprendizado e com o tempo, você vai adquirindo de forma gradativa.

A principal recomendação é ler e entender por completo o funcionamento do drone adquirido, treinar muito até possuir uma habilidade incontestável, para posteriormente começar a voar sob o mar e ir ganhando experiência aos poucos.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount IANTD, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho, fotografia e vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, sendo o idealizador do portal Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP).

Atuou na produção de diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência para a mídia, órgãos públicos no país e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO, quando o assunto é mergulho em naufrágio.

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