Barra Grande – Redescobrindo a Bahia

Foto: Clécio Mayrink

O litoral da Bahia há tempos é famoso e muito procurado por seu sol incandescente, suas praias repletas de coqueiros, sua deliciosa comida típica e as peculiaridades culturais de seu povo.

Nesse contexto, encontramos a Península de Maraú, litoral centro-sul da Bahia, situada entre as latitudes 13°52’S e 14°10’S e longitudes 38°55’W e 39°01’W.

Barra-Grande1A península apresenta orientação norte-sul e é delimitada ao leste pelo oceano Atlântico e ao oeste pela baía de Camamu, terceira maior baía do Brasil em volume d´água, ficando atrás apenas da Baía de Todos os Santos em Salvador e da Guanabara, no Rio de Janeiro.

A região apresenta uma imensa diversidade em ecossistemas, onde ao longo dos 40km da península, podem ser encontradas lagoas e lagunas costeiras, rios, manguezais, praias arenosas repletas de coqueirais, piscinas naturais formadas por recifes de corais e inúmeras ilhas. Esta grande diversidade de ambientes possibilita a interação de diferentes variáveis ambientais, permitindo assim, a manutenção e a funcionalidade de um belíssimo e complexo ecossistema.

Em todos os pontos, uma grande diversidade de organismos é encontrada. As piscinas naturais indicam a existência de organismos coralíneos (cnidários) e algas calcáreas, dentre as quais aliadas à estreita plataforma continental (uma das menores da costa brasileira), revelam a presença tanto de organismos recifais, como os de passagem.

Barra-Grande3Ainda é possível observar formações de corais cérebro e espiralados que emocionam à primeira vista. Todo o espectro de cores pode ser visto em boas concentrações de peixes recifais como Ciliaris, Tricolor, Donzela, Frade, dentre outros. Grandes áreas de corais moles e esponjas com porte considerável chamam a atenção em vários pontos da região.

A temperatura da água se mantém amena durante todo o ano, variando entre 23°C e 27°C, dependendo da profundidade e condição meteorológica. A visibilidade durante os meses da primavera e verão, chega os 30m em alguns locais, e as ondulações de grande altura (>2m) e período (>8s) podem afetar a visibilidade, porém, são acontecimentos esporádicos.

Após uma breve descrição sobre este paraíso escondido no litoral baiano, você pode estar se perguntando: “Como nunca mergulhei neste lugar ?”.

Realmente, este é um local ainda pouco conhecido, sendo mais procurado pelo público europeu e pela população da região. As opções de acesso ainda são um pouco dificultosas, sendo um dos fatores que têm contribuído para que a península de Maraú mantenha-se como um paraíso turístico ainda a ser descoberto.

E este paraíso escondido estende-se também ao ambiente subaquático.

Até pouquíssimo tempo, o mergulho na região era feito quase que exclusivamente nas piscinas naturais na praia de Taipus de Fora, através do snorkeling e “batismo”, onde a profundidade gira em torno dos de 3 ao 6m.

Esporadicamente, algumas operações de mergulho autônomo, eram organizadas por alguns poucos mergulhadores e operadoras de outras localidades.

Barra-Grande2Os mergulhos

Devido à baixa atividade de mergulho na região, poucos pontos de mergulho eram conhecidos até algum tempo atrás. Levando isto em consideração, uma operadora iniciou um programa de expedições para a descoberta de novos pontos, utilizando a tecnologia de instrumentos como GPS, sonda e carta náutica, aliadas ao conhecimento dos profissionais da operadora e do mestre de embarcação (ex-pescador nativo da região), que com isso, vêm fazendo um progresso considerável a cada semana de operação de mar.

À medida que novos pontos de mergulho são encontrados e os já conhecidos cada vez mais detalhados no mapeamento, a região se revela a cada dia, com uma sendo uma região mais bela, selvagem e interessante. Existem pontos de mergulho para todos os níveis de Barra-Grande4mergulhadores.

Grandes aglomerados de corais formam um complexo coralíneo conhecido localmente como cabeços ou chapeirões, porém denominado Sororocuçu, a profundidade gira em torno dos 8 ao 15m, sendo um ponto interessante para mergulhadores básicos e atividades de batismo.

Mergulhadores básicos também podem curtir um bom mergulho no Cabeço da Iaiá, onde em determinadas algumas ocasiões encontramos com tubarões lixa. Isto sem falar da grande diversidade de corais e peixes recifais.

Mergulhos noturnos neste ponto geralmente proporcionam a observação de boa atividade de lagostas e camarões.

No geral, descobertas vão sendo feitas, mostrando cada vez mais as características que tornam a península de Maraú particularmente interessante para mergulhadores avançados e técnicos.

Mergulhadores mais experientes e ousados poderão conhecer locais como Anguara, Guaiúba, Pedra do Miojo e Pedra do Queijo.

Para quem curte uma “adrenalina”, há um ponto conhecido como Rêgo das Caranhas, com grandes profundidades, sendo ideal aos adeptos do mergulho técnico, além da possibilidade Barra-Grande5de encontrar com grandes cardumes de peixes de passagem, como atuns e outros.

A região

O povoado de Barra Grande apresenta uma infraestrutura com hotéis, pousadas, serviços de traslados, passeios de barcos e boa diversidade de restaurantes. Agências bancárias e caixas eletrônicos não existem na região, porém, boa parte dos estabelecimentos aceita cartões. Os aeroportos mais próximos são os de Ilhéus e Salvador.

Novos pontos de mergulho possivelmente surgirão à medida que, novas expedições e mais mergulhadores buscarem o local.

O descobrimento de nosso país começou pela Bahia, atualmente estamos prestes a presenciar o redescobrimento deste local paradisíaco, porém, de outra maneira, com nosso admirável mundo azul através do mergulho.

Fernando Erthal

Nascido em Lages-SC, é formado em Oceanografia pela Universidade do Vale do Itajaí, tendo atuado em diversos projetos de dinâmica costeira e oceanografia por satélites.