A importância das poitas de amarração

Não é raro ver uma embarcação parar em um ponto de mergulho e lançar sua âncora no mar de qualquer forma, deixando-a cair até o leito marinho.

O próprio peso da âncora faz com que ela desça em grande velocidade, colidindo contra o que está lá embaixo.

Independente do fundo ser rochoso ou não, o impacto é sempre muito forte e destrói o que estiver pela frente, e mesmo sendo um fundo arenoso, sempre haverá algum tipo de vida marinha no local, causando assim, um dano ambiental.

Pequenos seres marinhos irão morrer, podendo com o tempo, alterar a cadeia alimentar. Além disso, uma âncora poderá atingir algum animal de maior porte, como uma tartaruga, por exemplo.

Agora imagine esse tipo de procedimento ocorrendo várias vezes em um mesmo ponto de mergulho e durante anos… simplesmente nenhuma vida marinha conseguirá se fixar no local, tornando a área inóspita para seres que se fixam.

Felizmente muitos destinos de mergulho adotaram a utilização de poita fixas, que nada mais são, do que um cabo fixado em um local predeterminado com uma boia em sua extremidade.

Ao utilizar esse tipo de amarração, o fundeio da embarcação torna-se um pouco mais complexo, pois na maioria das vezes requer a entrada de um mergulhador na água para amarrar o cabo da embarcação na poita, mas elimina-se ato de sair jogando de qualquer forma a âncora no mar.

 

Laje de Santos – Foto: Clécio Mayrink

 

Um exemplo

Um bom exemplo é a própria Laje de Santos, que por estar dentro de um Parque Estadual Marinho, existe a obrigatoriedade do fundeio utilizando as poitas, permitindo que a vida marinha permaneça no local sem a “preocupação” de receber uma “âncora na cabeça” de uma hora para outra.

As poitas instaladas por lá, contribuem na disposição das embarcações e ajudam a manter o posicionamento das embarcações sem risco do cabo se soltar de forma inesperada.

 

Uma ajuda aos mergulhadores

Quando temos uma poita instalada, ela também permite que os mergulhadores consigam descer e subir mais facilmente.

Em dias de correntezas mais fortes próximas da superfície, a poita facilitará o trânsito de mergulhadores, irá ampliar a segurança e evita que um mergulhador seja pego pela corrente, forçando o operador a ter que sair para buscá-lo longe do ponto de mergulho.

Há também, aquelas situações indesejadas como vias aéreas congestionadas, que acabam dificultando a compensação dos ouvidos em alguns mergulhadores, e utilizando o cabo da poita como ponto de apoio, o mergulhador pode tentar descer vagarosamente, permitindo em muitos casos, a realização do mergulho sem grandes dificuldades.

Se as poitas contribuem na preservação do meio ambiente já bom, trazendo mais segurança para a embarcação e ajudando os mergulhadores, é melhor ainda…

 

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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