Ele é antigo, naufragou em 2 de junho de 1853, e durante muitos anos foi chamado de “Califórnia“, mas com o avanço da tecnologia, foi possível encontrar algumas informações em jornais antigos, que deram detalhes sobre o acidente, além do nome real do naufrágio… “Rio de Janeiro”.
Era um antigo vapor de rodas com aproximadamente 40m de comprimento que acabou naufragando na Enseada da Praia Vermelha, na Ilha Grande.
Tudo isso em razão de um incêndio, pois tinha como carga grande quantidade de pólvora, facilitando a explosão e deixando o navio totalmente desmantelado.

O mergulho
Desde que era jovem, sempre escutei sobre o naufrágio “Califórnia”, e a primeira vez em que estive nele, foi ainda na época em que saía para mergulhar com o “Jamanta”, um antigo proprietário de uma pousada em Angra dos Reis, sendo um dos responsáveis nas operações de mergulho pela região, na década de 90.
O navio encontra-se na parte interna da Ilha Grande, sendo um mergulho extremamente fácil de realizar, até mesmo saindo de praia, pois o local é muito abrigado, livre de correntes e com baixa profundidade.
Na última vez em que estive por lá, me encontrava a bordo do liveaboard Entreprise, que fundeou nas proximidades, facilitando bem o mergulho no local, pois era afundar e já observar o que restou do antigo naufrágio.
Em razão do tempo e da explosão, o Califórnia encontra-se totalmente desmantelado, sobrando apenas algumas partes metálicas, hoje, cobertas pela vida marinha comum da região.
A profundidade gira em torno dos 8 e 15m apenas, sendo a média dos 12m apenas e você consegue passar muito tempo mergulhando no local e conseguindo observar com calma as peças do naufrágio.
Justamente pelas facilidades de mergulho por lá, o naufrágio já foi muito visitado pelos mergulhadores, e até saqueado no passado por aqueles que não respeitaram a legislação sobre naufrágios do país, mas como todo naufrágio natural, ele reserva um bom mergulho e sendo ótimo ponto para ajudar no treinamento e identificação das peças pelos mergulhadores.
Ainda é possível observar as caldeiras e parte do que sobrou das máquinas do navio, mesmo com a visibilidade normalmente reduzida por causa da proximidade com a praia e do tipo de leito marinho.
De toda a forma, é um naufrágio natural e que deve ser visitado pelos mergulhadores para que possam ver de perto, uma parte da história marítima brasileira em águas cariocas.
Maus agradecimentos à equipe do Entreprise por todo o apoio nos mergulhos realizados neste tão conhecido ponto de mergulho, do litoral do Rio de Janeiro.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



