Cilindros de Mergulho com a nova liga metálica: Uma nova preocupação ?

A prática do mergulho em si é muito segura, pois os equipamentos são exaustivamente testados pelos fabricantes, contudo, um aspecto sempre é algo que preocupa os profissionais do mercado de mergulho… os cilindros.

Recentemente um colaborador enviou um relatório com alguns resultados de uma pesquisa realizada em cilindros de mergulho fabricados com a liga metálica A6061-T6, liga esta adotada após os inúmeros problemas detectados com a liga 6351-T6 no passado, e alguns resultados chamaram a atenção.

 

Entendendo o problema

No passado os cilindros de mergulho fabricados pela Luxfer e de alguns outros fabricantes menos conehcidos, utilizavam a liga metálica a 6351-T6, que acabou sendo um transtorno para muitos por causa das falhas encontradas nos cilindros com essa liga, e em razão disso, muitos cilindros foram retirados do mercado e o mercado adotou outro tipo de liga metálica, a A6061-T6, que até então, era considerada 100% segura. Até acredito que seja, pois não ouvi falar sobre acidentes envolvendo explosão de cilindros com esse novo tipo de liga, até tomar conhecimento de um relatório alertando sobre alguns aspectos e resultados importantes.

Segundo a equipe de especialistas do Instituto de Tecnologia de Tóquio (Tokyo Institute of Technology), uma entidade renomada e sem fins lucrativos no Japão, eles conseguiram detectar microfissuras em cilindros contaminados com água salgada e fabricados com a liga metálica A6061-T6, apresentando as características dos mesmos problemas encontrados nos cilindros com a antiga liga 6351-T6.

Outro detalhe importante, é que alguns destes cilindros haviam passado por inspeções visuais e que não detectaram tais fissuras. Durante a sequência de testes, um dos cilindros testados apresentou microfissura e acabou explodindo, sem provar danos, por se encontrar em ambiente de testes.

Após a identificação das microfissuras nos cilindros fabricados com a liga A6061-T6, a Divisão de Segurança da Agência de Nuclear e Industrial do Japão (NISA), informou no dia 4 de julho de 2001, que um comitê havia sido estabelecido pelo Instituto de Segurança de Gás de Alta Pressão (HPGSI) e que haviam aberto um inquérito para investigar a possibilidade de explosão de cilindros com esse tipo de liga metálica.

No final, disponibilizaram um relatório completo sobre o assunto, chamando a atenção para a importância da inspeção visual anual em cilindros de mergulho como forma de precaução contra possíveis acidentes, além de recomendar um controle maior e detalhado quanto ao manuseio destes cilindros e algumas recomendações para os fabricantes de cilindros de mergulho.

No final dos estudos, chegaram à conclusão que a liga metálica A6061-T6 considerada como 100% segura, na verdade, também pode apresentar problemas de microfissuras quando o cilindro estiver contaminado com água salgada.

 

Conclusão

Diante dessa descoberta, conclui-se que é extremamente importante realizar uma inspeção anual nos cilindros de mergulho, utilizando um serviço técnico especializado no assunto.

Quando o cilindro for utilizado muitas vezes ao ano, como é o caso das escolas e operadoras de mergulho, é recomendável que o prazo para as inspeções caia para seis meses, pois não é só uma questão de danos materiais, mas principalmente, com o elemento vida.

Clicando aqui, você pode ler o relatório completo em PDF (em inglês – 200Kb) emitido pelo Instituto de Tecnologia de Tóquio que apesar de ser antigo, merece toda a atenção face a seriedade deste instituto, e acho que é de se estranhar que um assunto de tanta relevância como este, é tão pouco comentado e debatido pelo mercado mundial do mergulho.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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