Vale a pena trocar de certificadora ?

A transição entre agências de treinamento de mergulho surge regularmente em fóruns e conversas entre mergulhadores. Para cursos recreativos, a transição entre agências é bastante direta, pois o material é amplamente simplificado.

Mas e quando se trata de transição entre agências de treinamento de mergulho técnico ?

O treinamento de mergulho técnico está ligado diretamente com a relação em encontrar o instrutor mais “compatível e adequado”, do que sobre escolher uma agência específica. No entanto, vale a pena olhar para o lado da agência também. Cada agência de treinamento tem uma filosofia um pouco diferente, geralmente influenciada por fundadores e diretores de treinamento.

Essa filosofia será refletida em seus programas de treinamento e materiais. No que diz respeito a este último, duas áreas podem fazer a diferença. O primeiro ponto é o acesso: o aprendizado on-line é conveniente, econômico e ecologicamente correto, mas nem todo mergulhador acha fácil aprender dessa forma; algumas pessoas podem preferir livro e, algumas, podem preferir aulas teóricas ministradas por instrutores. Vale a pena verificar se o curso escolhido pode acomodar seu estilo de aprendizado preferido.

A segunda diferença está no material atualizado. Quando foi escrito ?

O mergulho técnico está evoluindo rapidamente, havendo atualizações regulares para melhores práticas, não apenas subaquáticas, mas também, em relação ao planejamento do mergulho, especificações do equipamento e muito mais. Materiais baseados no sistema on-line podem acomodar essas mudanças muito mais facilmente do que livros impressos.

 

Flexibilidade do curso e currículo

Além do material, é importante observar o grau de flexibilidade dentro de um curso. Algumas agências prescrevem exatamente quais habilidades os mergulhadores devem executar durante cada mergulho do curso. Outras listam as habilidades necessárias para a certificação, mas deixam para o instrutor individual decidir quais habilidades abordar em mergulhos específicos. Neste último, geralmente permite um curso mais personalizado e que acomoda estilos e ritmos de aprendizagem individuais.

Também investigue como a progressão do curso de uma agência é estruturada e como ela se encaixa com seus objetivos de mergulho. Parte disso é evidente em fluxogramas e descrições de cursos, mas provavelmente é algo que você deve discutir com um instrutor.

Muitos instrutores de mergulho técnico são afiliados a diversas agências e, portanto, podem aconselhar sobre qual currículo melhor se adapta às suas qualificações preexistentes, experiência, objetivos de mergulho e ao ambiente em que você está treinando. Com base nisso, você pode muito bem ficar com o treinamento de uma única agência.

 

Uma mudança tem benefícios ?

Definitivamente. Principalmente, você terá a oportunidade de comparar e entender melhor qual currículo e estilo de ensino funcionam melhor para você. Geralmente, cruzar as informações entre agências em um nível recreativo é tão simples quanto se inscrever em um novo curso. No entanto, como os currículos de mergulho técnico não são tão simplificados quanto os cursos de entrada; você pode ter que dar um passo para o lado para se encaixar no fluxo de cursos da outra agência.

Os cursos Advanced Nitrox da IANTD e da TDI, por exemplo, qualificam mergulhadores para utilizar misturas de Nitrox até oxigênio puro. No entanto, enquanto a versão do curso da IANTD abrange a realização de paradas de descompressão limitadas, o curso Advanced Nitrox da TDI permanece dentro dos limites de nenhuma parada. Então, vindos da IANTD e querendo continuar dentro do currículo da TDI, os mergulhadores ainda precisam concluir o curso de treinamento inicial de mergulho descompressivo da TDI, Procedimentos de Descompressão.

Embora grande parte do material seja semelhante e a diferença na profundidade máxima potencial seja de apenas alguns pés de distância, os procedimentos de descompressão permitem paradas de descompressão ilimitadas.

Para profissionais de mergulho, a transição é um processo mais estruturado. Os detalhes variam dependendo das qualificações existentes e da experiência de ensino. O processo pode variar de uma versão mais curta de um curso de instrutor a uma simples troca administrativa. Tudo depende dos requisitos da agência individual e das qualificações existentes e da experiência de ensino do instrutor.

A maioria das agências reconhecerá que a experiência de ensino é valiosa, mesmo que o instrutor tenha ensinado um currículo diferente. No final do dia, o instrutor ainda explicou os princípios e práticas do mergulho técnico para seus alunos. Um crossover geralmente envolve passar algum tempo na tela aprendendo sobre a história de uma agência, entendendo sua filosofia de ensino, estruturas de cursos e — talvez o mais importante — padrões de ensino.

Embaixo d’água, um crossover pode incluir um circuito de habilidades, geralmente conduzido como uma revisão por pares em vez de uma situação de exame. Isso significa que o instrutor que está fazendo o crossover está sendo avaliado em um cenário mais parecido com um workshop. No entanto, alguns crossovers são mais como uma versão mais curta de um curso de treinamento de instrutores, incluindo apresentações acadêmicas e de habilidades subaquáticas. Também pode haver requisitos para auxiliar nos cursos.

Embora a mudança entre agências de treinamento de mergulho seja bastante simples no nível de mergulhador recreativo, aqueles que pretendem adicionar aspectos do mergulho técnico às suas qualificações encontrarão requisitos mais formais.

Uma coisa é certa, no Brasil, a certificadora que liderava a quantidade de escolas e instrutores vêm cada dia, perdendo cada vez mais mercado, pela falta de investimento no mergulho técnico, um ensino engessado, péssimo atendimento e cobranças extremamente elevada em relação as demais.

Minha opinião, é que devemos sempre procurar o que há de melhor, principalmente, certificadoras atualizadas e presentes. Continuar numa “irmandade”, não gera conhecimento e você não se atualiza.

 

Foto: Clécio Mayrink

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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