A tecnologia em equipamentos avançou em alguns aspetos, mas em outros, no meu ponto de vista, deixa muito a desejar, como o uso do octopus de mangueira longa.
Particularmente, detesto mergulhar com um monte de penduricalhos , uma coisa que sempre me incomodou bastante, é o uso do octopus de mangueira longa. Vejo os mergulhadores descendo com aquela mangueira amarela totalmente exposta para os lados e facilitando muito o enrosco em algum lugar e aumentar as chances de corte da mangueira durante o mergulho, por exemplo.
Além disso, vejo alguns mergulhadores curvando a mangueira no colete, para em tese, deixá-la mais ajustada ao corpo, mas no fim das contas, curvar a mangueira como a maioria têm feito, essa ação vai danificando a mangueira, pois ela não foi fabricada para esse tipo de uso pelo mergulhador, inclusive, isso já tema de um artigo aqui no Brasil Mergulho, onde chamo a atenção para esse tipo de atitude.
Em mais de 40 anos de mergulho, só precisei doar gás 1 vez em todo esse tempo, o que aconteceu ainda na década de 80, quando os reguladores não eram tão bons como os de hoje.
Então, porque utilizar octopus de mangueira longa ?
Algum tempo atrás, também comentei em um artigo (Leia aqui) quanto ao uso do octopus integrado, isto é, um segundo estágio que é instalado juntamente com a traqueia do colete, eliminando assim, a utilização de uma mangueira e eliminando a possibilidade de mais um ponto de enrosco. Você diminui a quantidade de mangueiras a serem transportadas e torna a bagagem mais leve para viajar.
Mas qual a razão das certificadoras não investirem na utilização deste equipamento ?
Sinceramente não sei dizer e, conversando com vários profissionais, a única desculpa é: O octopus de mangueira longa, facilita o fornecimento de gás ao mergulhador com problemas.
Daí eu digo “basta um segurar no colete do outro mergulhador e ficarem bem próximos, pois quem fornece o gás, passa a usar o octopus integrado e o outro mergulhador, passa a usar o regulador principal de quem fornece. Problema simples de ser resolvido e bastando subir.
Acho que para um divemaster ou instrutor de mergulho, é cabível a utilização de um octopus com mangueira longa, afinal de contas, eles estão sempre mergulhando com todo o tipo de mergulhador e normalmente, com nível de experiência inferior e equipamentos alugados, mas pra quem têm experiência e equipamentos com a manutenção em dia, acho que realmente vale o investimento no octopus integrado e abandonar o conceito de octopus de mangueira longa.
Depois que você passa a usar um octopus integrado, você nunca mais quer saber do octopus tradicional.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



