O turismo de mergulho recreativo gera anualmente aproximadamente 19 milhões de euros, segundo um novo estudo publicado, na revista científica Cell Reports Sustainability, do grupo Cell Press.
O relatório destaca não só os benefícios econômicos para comunidades costeiras, como também, uma contribuição na atividade para a conservação dos ecossistemas marinhos.
“O mergulho não é apenas um passatempo”, segundo a autora principal do estudo, Anna Schuhbauer, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá.
“É um pilar multibilionário da economia global, que permite canalizar o dinheiro dos turistas diretamente para as comunidades costeiras e para a proteção dos oceanos.”
A pesquisa teve como foco o mergulho recreativo enquanto forma de ecoturismo, atividades sustentáveis que envolvem a observação e interação com a vida marinha sem causar danos. O objetivo foi preencher uma lacuna importante no conhecimento, pois não existia uma estimativa global e atualizada do valor econômico da indústria do mergulho.
Com base em alguma análises realizadas com os operadores de mergulho de todo o mundo, os pesquisadores estimam que existam cerca de 11.590 operadores em 170 países, empregando aproximadamente 124.000 pessoas, das quais 80% são locais. Essa forte presença local, reforça o potencial do setor para promover modelos de gestão da conservação ambiental.
O número anual de mergulhadores gira em torno de 8.9 e 13.6 milhões e quando combinado com gastos associados com viagens, estadias, aluguel de equipamento e cursos de mergulho, isso geraria algo estimado entre 7.8 e 18.8 mil milhões de euros por ano.

A conservação financiada pelos mergulhadores
O estudo destaca que a prática do mergulho pode ter um papel relevante na conservação marinha, especialmente dentro de Áreas Marinhas Protegidas. Além do financiamento direto que esse mercado gera, o turismo de mergulho contribui para aumentar a consciencialização pública em relação aos desafios ambientais dos oceanos.
No entanto, os autores alertam que os dados apresentados devem ser vistos como estimativas conservadoras. A análise não inclui, por exemplo, receitas provenientes da produção e venda de equipamentos de mergulho nem dos rendimentos de grandes associações internacionais de mergulho, o que poderá ser alvo de estudos futuros.
“Acreditamos que estes números fornecem uma visão global e uma base sólida para reforçar decisões de política económica e ambiental. Mas são apenas um ponto de partida”, afirma Schuhbauer. A investigadora mencionou ainda, a importância de criar sistemas padronizados para monitorizar os fluxos financeiros e de visitantes, sobretudo após a pandemia de COVID-19, que teve impactos significativos no turismo global.
A equipe espera que os resultados do estudo sirvam de base para o reforço de iniciativas de conservação geridas pelas próprias comunidades e para o desenvolvimento sustentável do turismo marinho.
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