Naufrágio Parnaioca – Possível identificação ?

Recentemente ao pesquisar o site do Tribunal Marítimo, me deparei com o acórdão do processo 2104, que relata a perda e desaparecimento de um pontão (pontoon) nas proximidades da Ilha Grande, em 1951.

É fato que até os anos 60/70 do século XX, algumas empresas de navegação, empregavam esse tipo de embarcação para o transporte de mercadorias na navegação de cabotagem. As armadoras adquiriam ou reaproveitavam navios velhos e abandonados, que ainda possuíam alguma condição de navegabilidade e os empregavam no transporte de carga, a reboque de seus navios ou outras embarcações.

O processo 2104 trata da perda do pontão “Iguassú” que na época, pertencia à armadora paulista “Empreza Internacional de Transportes Ltda”.

Como mencionei acima, era praxe naquela época utilizar cascos de navios fora de uso como pontões rebocados. Isso ocorreu com o vapor Taubaté do Lloyd Brasileiro, que foi convertido em pontão e, acabou naufragando nos molhes do porto de Recife em 1954.

Tenho a forte suspeita que o mesmo ocorreu ao vapor Iguassú em 1951.

Este navio pertenceu ao Lloyd Brasileiro até 1950 e iria ser sucateado, mas foi reaproveitado pela empresa paulista, que o teria utilizado por pouco tempo como pontão. Estou aguardando mais informações do Tribunal Marítimo para confirmar essa tese.

Esse navio pertenceu à armadora alemã Hamburg-Süd até 1916 e se chamava Santa Rosa. Ele acabou sendo confiscado pelo governo brasileiro e repassado ao Lloyd, que rebatizou com o nome Iguassú.

Recentemente, ao consultar o Lloyd’s Register verifiquei que o comprimento do referido vapor era de 351 pés, ou aproximadamente 107 metros. Considerando que o comprimento do naufrágio, medido e indicado em um conhecido site sobre naufrágios como 103 metros. Se considerarmos as imprecisões de medição em um naufrágio despedaçado, os valores se aproximam.

Outro aspecto a ser levado em consideração, é a ausência de um hélice nos destroços.

Era comum naquela época a remoção do hélice desses navios velhos que iriam ser desmanchados ou transformados em pontão. O hélice tinha valor alto devido às ligas de bronze utilizadas na fabricação e eram reaproveitados ou fundidos.

Estive nesse naufrágio apenas uma única vez e por pouquíssimo tempo. Estava usando um rebreather e logo nos primeiros minutos do mergulho, tive um alerta de bateria baixa no controlador principal. Na época eu não tinha muita experiência com a máquina e, então, para não correr riscos, decidi abortar o mergulho.

Em termos práticos, ainda não conheço esse naufrágio, mas tenho planos de fazer um mergulho ali em futuro breve.

Importante ressaltar, que há boatos entre os moradores da Ilha Grande, que afiram que o naufrágio teria ocorrido nos anos 50 do século XX.

 

Navio Santa Theresa, irmão gêmeo do Santa Rosa, nome anterior do Iguassú – Colaboração: Fábio Conti

 

Tribunal Marítimo

Iguassu

Fábio Conti

Fábio Conti é formado em Engenharia Mecânica pela UGF em 1984, com especialização em hidroacústica pela Pennsylvania State University.

Trabalha a mais de 17 anos na Petrobrás, onde nos últimos 9, atua na execução de operações marítimas de posicionamento, utilizando recursos de satélite e hidroacústicos, e participa em levantamentos geofísicos do fundo do mar.

Com mais de 20 anos de experiência em mergulho, atualmente é Tec Trimix pela DSAT, Deep Air Diver e Advanced EANx Diver pela IANTD, e 3 estrelas pela CMAS.

Tem como hobby a leitura sobre história marítima e atualmente se dedica à fotografia submarina e ao mergulho técnico.

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Operação Parnaioca

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