Com certa frequência, temos presenciado notícias de liveaboards pegando fogo no Mar Vermelho e, sem uma resposta final do governo egípcio, informando quais foram os reais motivos desses acidentes, o que tem preocupado muitos empresários do mergulho em todo o mundo.
Mas quais foram as causas na maioria dos casos ?
Sistema elétrico precário
Por lá, temos a informação de que os liveaboards são antigos e com manutenção precária. Ar-condicionado, carregadores de câmeras, baterias de lanternas e scooters sobrecarregando a rede elétrica da embarcação, contribui para curto circuitos.
Muitos barcos egípcios têm entre 15 e 30 anos de idade e foram adaptados pra mergulho sem revisão elétrica adequada, pra piorar, a fiscalização é ineficiente.
Segurança negligenciada
Falta detectores de fumaça, extintores vencidos, saída de emergência trancada e tripulação sem treinamento eficaz. Outro fator que vêm chamando a atenção, é o fato de quase toda a tripulação ir dormir juntamente com os mergulhadores, e quando ocorre algo, não há tempo hábil para uma ação.
Algumas operadoras cortaram custos para se manterem no mercado, inclusive, muitos mergulhadores relataram a falta de coletes salva-vidas em alguns dos acidentes recentes, demonstrando que o fator segurança não era uma prioridade.
Construção em madeira / fibra
Muitas embarcações são feitas de madeira e são inflamáveis. Uma vez que pegue fogo, acaba se espalhando em poucos minutos.
A regulamentação egípcia permite o uso de materiais que são proibidos em liveaboard em muitos países do mundo, por exemplo.
Sobrecarga de bateria de lítio
Carregamento de lanternas, câmeras, drones e scooters durante a noite e sem supervisão, também tem contribuído para esses acidentes.
Uma bateria de lítio estoura e ninguém toma conhecimento naquele instante, e quando se dá conta do problema, já está em um nível onde não é mais possível tomar qualquer tipo de atitude para extinguir o fogo e deixar todos em segurança
Navegação noturna arriscada
A região do Mar Vermelho possui muitos recifes rasos, correntes fortes e vento, tornando a navegação mais arriscada, apesar de toda a tecnologia disponível atualmente.
É muito comum por lá, durante o incêndio na embarcação, o capitão realizar o encalhe da embarcação, para evacuá-la.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



