É muito comum a pessoa que nunca mergulhou, perguntar: “Mergulho não é perigoso ?”
E eu respondo: Dirigir um carro é muito mais !
Mergulho pode parecer perigoso para algumas pessoas, porque é realizado em um ambiente hostil. Mas hostil, não quer dizer perigoso.
Perigoso é o que tem alto risco e pouco controle. No mergulho recreativo atual, temos controle sobre quase tudo.
Estatística
Segundo a DAN – Divers Alert Network, que monitora acidentes no mundo inteiro há mais de 40 anos, eles registram algo em torno de 2 mortes para cada 100.000 mergulhos.
Algumas comparações:
- Corrida: 13 mortes para 100.000 praticantes / ano
- Motociclismo: 21 mortes para 100.000 / ano
- Boxe: 12 mortes para 100.000 lutas
Você tem mais chance de se machucar jogando futebol no fim de semana, do que fazendo um batismo aos 6 metros de profundidade
O equipamento não te deixa morrer
Mergulho autônomo tem segurança muito redundante.
Você tem reserva de ar, manômetro com a informação da quantidade de ar, mergulhador dupla, e na pior das hipóteses, uma subida livre. Estou fazendo de forma muito resumida, mas sempre haverá muitas redundâncias nos procedimentos e equipamentos.
O que mata não é o mergulho, mas o comportamento humano. Dos acidentes no Brasil, 90% deles tem os mesmos 3 fatores:
- Falta de treinamento adequado;
- Excesso de confiança;
- Problema de saúde não declarado, como infarto, pânico, obesidade. O mar só expõe o que já estava ali.
O mar não te puxa pra baixo. Você se coloca em situação que não domina. Num curso de mergulho decente você:
- Precisará ter um checkup médico em dia;
- Aprenderá sobre física, fisiologia, equipamentos e procedimentos;
- Irá treinar em ambiente controlado;
- Irá mergulhar em mar aberto com o instrutor de mergulho ao seu lado.
Você não entra no mar e “vê no que dá”. Você entra com planejamento, treinamento, mergulhador dupla e margem de segurança.
O mergulho se torna perigoso quando:
- Se mergulha sem treinamento;
- Com equipamentos inadequados;
- Ultrapassa os limites da sua certificação;
- Não respeita as regras informadas nos cursos de mergulho.
Mergulhar não é perigoso. Mergulhar mal ensinado, mal equipado e sem respeito as regras, é que é o grande problema.
O mergulho não mata, mas o descumprimento das regras, sim.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



