Evitando que o seu Garmin Descent vire um peso de papel

Ja é sabido por muitos, que baterias de lítio não devem ser descarregadas em sua totalidade, pelo risco de acabar não carregar mais e, sendo recomendável, sempre deixar a carga do computador com no mínimo 20%.

Mas no dia a dia, muitas vezes é complicado para o mergulhador lembrar deste detalhe e, eventualmente, uma descarga por completo do computador de mergulho, pode acabar acontecendo e surgir um problema sério, que é do computador não carregar mais.

Muitos mergulhadores andam tendo problemas com o computador da linha Descent da Garmin, pois esses computadores utilizam baterias de lítio e são totalmente lacrados. Alguns chegam a dizer, que como esses computadores seriam lacrados ainda na fábrica, seria impossível realizar a abertura da caixa e realizar a troca da bateria.

Há alguns relatos, de que quando computadores dessa linha apresentam algum tipo de problema ou necessitam trocar a bateria, o mergulhador precisa enviar o computador com problema para a fábrica, e eles acabam enviando um novo, face a dificuldade em abrir a caixa do mesmo.

Se é verdade ou não, de fato, o que temos escutando são várias reclamações desses aspectos e, recentemente, presenciamos um mergulhador com um problema em um computador Descent X50i, um produto aparentemente de boa qualidade, mas que chega a custar a bagatela de U$ 2.000 (R$ 12.000 aproximadamente na cotação de hoje), e que não recarregava de jeito nenhum.

Depois de literalmente “jogar a toalha” e desistit de tentar “reanimá-lo”, o mergulhador acabou levando o computador para uma conhecida operadora em São Paulo, na tentativa deles tentarem salvar o equipamento.

 

Dicas

O instrutor Reiji Katayama, da Narwhal, pesquisou a fundo e descobriu uma dica, que acabou salvando o computador e nos passou a informação.

O mergulhador que vier a ter o mesmo problema, deve realizar a recarga utilizando o cabo USB do computador em uma saída de baixa potência. As portas USB’s normalmente dos computadores, seja desktop ou notebook, muitas vezes possuem diferentes tipos de portas USB na mesma máquina.

Portas USB na cor azulada, por exemplo, portas do tipo USB 3, que possuem uma potência de fornecimento de energia de até 900mA, sendo mais forte que a tradicional porta USB comum, onde a potência de energia não ultrapassa os 500mA. Parece uma bobagem, mas já queimei dois pendrives de USB comum, ao colocá-los em porta USB 3 por mera distração. Eles não suportaram a potência mais forte de energia fornecida pelo computador.

No caso em questão, o computador Descente X50i foi conectado em uma porta USB comum e após alguns bons minutos, ele deu sinal de vida e o computador foi recuperado. Então, podemos dizer que esse detalhes fez a diferença.

Caso você esteja passando pelo mesmo problema do computador não dar sinal de vida durante a recarga e ter realizado a recarga em porta USB comum de baixa potência, chegando ao ponto de “não tem mais o que fazer”, a última possibilidade, é tentar dar o chamado “choque de sobrevivência” na bateria. Procedimento recomendável quando a toalha já foi jogada e não havendo mais opções de salvar o computador.

Este procedimento é como se fosse um desfibrilador para a bateria e muitas vezes dá resultado.

Clicando aqui, você assiste ao vídeo onde dou mais detalhes desse procedimento.

Agora, se você não quer ter esse tipo de “dor de cabeça”, talvez a aquisição de um computador com bateria removível seja a melhor alternativa.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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