É muito comum um aluno perguntar ao instrutor de mergulho: Vale a pena comprar ou continuo alugando os equipamentos ?
Aluguel pode ser uma boa opção no primeiro ano, mas depois disso, é o maior freio na evolução do mergulhador e o maior risco para a segurança e, não é conversa fiada ou papo de vendedor de loja. É física, higiene e a experiência de 40 anos vendo equipamentos alugados apresentando falhas.
Vejamos alguns pontos:
Você nunca sabe quem usou o equipamento alugado antes de você e como usou.
Um regulador alugado certamente já passou por mais de “200 bocas diferentes”. Já foi mordido, babado, deixado cair no chão do barco, arrastado na areia, e etc.
Já um colete alugado, já foi inflado milhares de vezes e até acionado ao máximo por algum aluno ou mergulhador iniciante. Pior, já deve ter ficado 2 ou 3 dias molhado dentro de um saco fechado criando fungo na bolsa interna, por exemplo.
E quanto aos reguladores ? Você colocaria a boca em uma escova de dente de 200 pessoas, porque a loja já lavou ?
Máscara alugada… imagine ela ter passado no rosto de umas 50 pessoas com protetor solar, maquiagem e suor, pior, limpando a lente e cuspindo nela pra não embaçar.
Já vi colete alugado com o power travado nos 20m de profundidade, fazendo com que o mergulhador subisse como um foguete. Regulador com problema de free-flow aos 30m, computador sem bateria ou travado em modo gauge, e por aí vai.
Você pode mergulhar “mal” com equipamento alugado
Esse é o ponto que ninguém fala. Com equipamento próprio, você desenvolve memória muscular, por exemplo:
- Sabe onde está cada D-ring;
- Sabe quanto de lastro precisará com a sua roupa;
- Com equipamento alugado, todo mergulho é um primeiro mergulho. Você perde pelo menos 10 minutos de briefing tentando realizar ajustes, conhecer o equipamento, vendo que a nadadeira está grande e roçando o calcanhar…
Resultado: Flutuabilidade ruim, consumo alto, cansaço e zero evolução, e isso, muitas vezes desmotiva o mergulhador que só aluga equipamentos.
A conta não fecha, nem pra você, nem para a loja
Vamos supor que você gaste entre 200 e R$ 250 por saída com o aluguel dos equipamentos. Se você realizar 10 saídas ao longo do ano, serão aproximadamente R$ 2.500 jogados fora.
Devemos levar em consideração que normalmente, um equipamento de mergulho bem cuidado, dura pelo menos entre 10 e 15 anos, então, você já teria comprado todos os equipamentos e ainda, deixado de gastar muitos reais com o aluguel deles.
Higiene e Saúde – Assunto proibido
Depois da pandemia, isso deveria ser óbvio. Mesmo lavado, o bocal de silicone não esteriliza 100% com água doce, acumula saliva, muco e bactéria.
Roupa de neoprene alugada e usada por várias pessoas e sem secar corretamente, pode contribuir para micose, foliculite e até infecção no ouvido, por exemplo.
Quando vale a pena alugar um equipamento de mergulho ?
- Batismo (Discovery) e Curso Básico – Você ainda não sabe se vai gostar, então, o aluguel é viável.
- Viagens aéreas: Equipamentos de mergulho são pesados, leve máscara, computador e regulador na bagagem de mão. Colete e roupa, você aluga no destino;
Minha recomendação de compra em uma sequência, seria:
- Máscara, Snorkel, Botas / Meias e Nadadeiras – Higiene e conforto imediato;
- Regulador e Octopus – Só você usa, só você respira;
- Computador de Mergulho – Segurança e registro dos mergulhos;
- Roupa – Tamanho adequado e sem cheiro;
- Colete Equilibrador – Tamanho ajustado ao seu corpo e aos reguladores.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



