Austrália: Mergulhos decepcionantes e sem vida marinha

Eu e meus amigos decidimos conhecer os corais da Austrália, em razão às matérias e todos os anúncios que vemos sobre os mergulhos por lá, apesar de sabermos que a grande barreira de corais estava comprometida pelo aquecimento global.

Sendo nossa primeira viagem para lá, começamos a questionar algumas operadoras sobre os mergulhos e a realidade dos pontos oferecidos por eles, para então, analisar e decidir o que iria valer à pena visitar, pois viajar do Brasil até lá é realmente uma viagem muito cara e longa.

Acabamos contratando o Live Aboard da operadora Ocean Quest, e os pontos que iríamos visitar seriam esses:

  • Tutle Bay
  • Norman Reef
  • Platetoa
  • PlauyGround
  • Troppos
  • Coral Garden
  • Saxon Reef

Primeiros mergulhos

Desembarcamos em Sydney e seguimos para Cairns, onde encontraríamos os responsáveis pela  operadora Ocean Quest, embarcando posteriormente em um barco do tipo catamarã.

Realizamos um mergulho em um local completamente morto, sem vida marinha e nada mais. Apenas 6m de profundidades e visibilidade em torno dos 8m.

Na embarcação havia aproximadamente 40 pessoas, sendo que 90% delas iriam fazer batismo e snorkeling, o que já era um mau sinal.

Após o primeiro mergulho, a embarcação se deslocou até outra embarcação denominada Ocean Quest, um barco bem grande com quatro andares e que nos levou para um segundo ponto de mergulho.

Novamente outra decepção. Um mergulho no areião sem fim e alguns corais mortos. Totalmente sem vida.

Indagando os dive masters, disseram que teríamos mergulhos melhores, então, almoçamos e aguardamos o mergulho noturno acreditando que seria em outro ponto, mas algum tempo depois, percebemos que o mergulho seria exatamente no mesmo local que o segundo, e acabamos não realizando esse mergulho, pois o local não tinha vida, não havia visibilidade e só víamos areia.

Nos dias posteriores fomos para outros locais, mas a situação permanecia a mesma, tudo relativamente morto, pouca visibilidade, areião, sem vida e mergulhos rasos.

Do total de 12 mergulhos contratados no pacote, realizamos apenas 7.

O custo por 3 noites e 4 dias saiu a quantia de US$ 550 para cada mergulhador, já incluso café manhã, almoço, lanches e jantar. A suíte era grande e confortável. A tripulação hospitaleira.

Decepção total

Ao tomar conhecimento sobre os pontos de mergulho a serem visitados, vimos algumas fotos na internet e eram absolutamente incríveis, o que foi decisivo para definirmos a viagem, mas o que as operadoras não mostram, é a real situação sobre a vida marinha local. Na verdade, deveriam postar minhas fotos para mostrar a impressionante realidade assustadora.

Terminamos o Live Aboard absolutamente  tristes e decepcionados ao ver a situação dos corais da grande barreira, e ao mesmo tempo, chateados por sermos enganados dos pelas empresas de turismo, ao venderem uma imagem totalmente errada do que se encontra por lá.

Já tínhamos assistido dois documentários que relatavam a situação da barreira de corais, mas não imaginávamos que fosse tão grave. Acredito que ainda deve haver alguns pontos bons, mas certamente, se eles ainda existem, estarão bem distantes dos pontos comercializados pelo Live Aboard que contratamos.

Nessa viagem aprendi que quando desejar conhecer algum ponto de mergulho distante devo me basear nas informações e dicas de amigos que já conhecem o destino, pois o que é vendido e divulgado na internet, nem sempre representa a realidade.

Por:

Tânia Ministro

Nascida em São Paulo, é administradora de empresas e mergulhadora avançada pela PADI.