Califórnia – Conhecendo Carmel e Monterey

A costa oeste americana reserva bons mergulhos, e há na chamada “rota do amor”, algumas possibilidades bem interessantes.

Me encontrava em Whalers Cove, parte da Reserva Natural Estadual de Point Lobos, em Carmel Bay. A água é mais quente que o ar, conseguia ver o fundo marinho aos 12m de profundidade, e os penhascos íngremes e algumas rochas

Conforme descemos, vejo algumas algas suspensas nas águas azuis claras com caranguejos vermelhos brilhantes e caracóis agarrados às folhas. O recife rochoso é coberto com grandes anêmonas, parecendo um campo de flores coloridas. Nesse meio tempo, uma foca morde minha nadadeira e se afasta rapidamente, depois, surge uma grande arraia que passa por nós lentamente. Sendo uma reserva marinha há tempos, então os peixes são abundantes e grandes.

As ressurgências na área são ricas em nutrientes do profundo cânion submarino, contribuindo para o crescimento de uma vida invertebrada que cobre todas as superfícies. O número de mergulhadores permitidos no parque é limitado.

A cidade de Monterey atrai milhares de visitantes todos os anos. Mergulhadores em particular são atraídos para esta área por causa da variedade e fácil acessibilidade dos pontos de mergulho nas duas baías que ficam em ambos os lados da Península de Monterey. Carmel Bay, no aspecto sul da península, é onde começamos nossas viagens de mergulho na região. Dos pontos de mergulho de Carmel, os mais conhecidos ficam dentro da Reserva Natural Estadual de Point Lobos, um parque que abrange e protege quase 10.500 acres, sendo 9.900 deles submersos.

Whalers Cove foi o ponto de acesso na costa, contando com uma rampa para embarcações, fornecendo um ponto de entrada para mergulhadores e praticantes de snorkeling. Imediatamente a noroeste está Bluefish Cove, uma floresta de algas intocada que não tem um ponto de entrada separado, mas pode ser facilmente alcançada por uma pequena embarcação partindo de Whalers.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

Estávamos nos preparando para um segundo mergulho em Whalers, quando um mergulhador com um inflável nos convidou para acompanhá-lo em um mergulho. Aceitamos e jogamos nosso equipamento no barco, e partimos contornando Bluefish Cove e ancorando no Outer Bluefish Pinnacle. Esse pináculo gêmeo alcança 11m da superfície, estando coberto com esponjas coloridas, hidrocorais, estrelas do mar, anêmonas, dentre outros seres bem interessantes.

No dia seguinte, fomos para a Praia do Mosteiro, que conta com um trecho de areia acessível ao público ao norte da reserva. O Mosteiro fornece acesso à costa para locais de mergulho conhecidos por paredes íngremes e pontos de entrada também íngremes. O primeiro significa que mergulhadores avançados são atraídos pela possibilidade de mergulhos profundos, mas o último torna as entradas desafiadoras e cheias de cascalho que conta com uma zona de surfe.

Alguns pontos podem ser alcançados utilizando uma embarcação fretado, normalmente indo para Carmel Pinnacles, considerado o ponto de mergulho do Santo Graal da área. Os pináculos são uma parte remota, mas fazem parte da reserva marinha, onde os mergulhos dependem muito das condições do tempo e mar. Por lá encontramos estruturas duplas que se elevam de profundidades de centenas de metros até os 5m em seu ponto mais raso. A vida de invertebrados é grande e colorida.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

Baía de Monterey

A diferença é grande, pois a Baía de Carmel parece abraçada pela natureza, mas a Baía de Monterey é cheia de história. Muitos pontos de mergulho na costa da cidade de Monterey são adjacentes à Cannery Row, sendo marcados por resquícios antigos da indústria pesqueira de sardinha. A Baía de Monterey tem um fundo marinho com baixa visibilidade,  se comparado com a Baía de Carmel, mas devido a preservação, acaba atraindo muitos mergulhadores.

As cores exuberantes da Baía de Carmel são contrastadas pelas anêmonas gigantes da Baía de Monterey, que tem uma água verde e vida macro impressionante. Alcançamos os 18m de profundidade, até chegar a Metridium Fields, um recife rochoso habitado por alguns cardumes, estrelas-do-mar alaranjada.

Já na Praia McAbee, o mergulho é mais longo, contando com algas marinhas e cercada por pedras de granito pontilhadas com estrelas-do-mar coloridas e muitas anêmonas.

Saindo de barco, paramos em Ballbuster, um pináculo que está aos 19m e segue até os 33m abaixo. Depois fomos para The Breakwater, sendo um ponto de mergulho saindo de praia mais popular da baía, ficando próximo ao píer da Guarda Costeira americana, havendo uma área de lama arenosa e um recife rochoso repleto de algas.

 

Informações adicionais

As águas da baías de Monterey e Carmel são muito frias, com a temperatura variando entre 7 e 12°C, sendo a roupa seca primordial para mergulhar por lá. A visibilidade varia entre 3 e 25m, permitindo o mergulho tranquilo, porém, recomendaria mais para mergulhadores avançados.

Reserve a Reserva: As baías de Carmel e Monterey contêm um sistema complicado de áreas marinhas protegidas, o que é evidenciado pela abundante vida de peixes em muitos locais. A A Reserva Marinha Estadual de Point Lobos é recomendada para mergulhadores de todos os níveis, então, é importante Planeje fazer as reservas de visitação, principalmente se for no final de semana e feriados. O site é www.pointlobos.org

Em Monterey há um aeroporto regional e a cidade está 160 Km do Aeroporto Internacional de São Francisco, levando em média 2:30H de carro. No meu caso, fomos de carro até lá, numa viagem muito bacana, passeando pela costa, onde chegamos até Big Sur.

A cidade de Monterey tem o Aquário de Monterey que é muito bacana e vale muito a pena fazer uma caminhada pela Reserva Marinha Estadual de Point Lobos, que oferece belíssimos visuais do mar e da costa.

 

Foto: Clécio Mayrink

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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