A mais nova joia na coroa de biodiversidade do lendário arquipélago Alcatrazes, no litoral norte de São Paulo é um coral pink, com sua cor vibrante e pólipos arredondados, parecidos com pedras preciosas. A espécie foi descoberta no início deste ano, dentro de um cânion submarino da ilha principal, nos 30m de profundidade, no cânion está localizado abaixo de um dos pontos mais famosos de mergulho da ilha, conhecido como Matacões

O pesquisador Marcelo Kitahara, que possui mais de 300 mergulhos no arquipélago, conseguiu num dia de águas calmas mergulhar no local, juntamente com o amigo e biólogo Leo Francini.

“Nunca tinha visto nada com essa cor”, relembra Kitahara, professor do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (DCMar-Unifesp) e colaborador do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (Cebimar-USP), especialista em corais.

Como ele possui autorização para realizar coletas no local, ele removeu alguns pólipos para análise em laboratório. “Inicialmente achei que poderia ser uma outra espécie, comum aqui no Sudeste, mas olhando com mais calma, percebi que era algo diferente. Quando voltei para o barco já recebi a confirmação de que poderia ser uma espécie nova.”

De volta ao Cebimar, em São Sebastião, alguns pólipos foram dissecados e outros, colocados em aquários para observação. As análises genéticas e morfológicas indicam se tratar de uma espécie do gênero Coenocyathus, com oito espécies conhecidas no mundo, sendo uma delas no Brasil.

A diferenciação é feita base na morfologia do esqueleto do coral e, para ter certeza de que se tratava de uma espécie nova, foi preciso comparar o esqueleto dos pólipos de Alcatrazes aos de outros corais do mesmo gênero, depositados na coleção de corais do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e agora, um artigo científico está sendo preparado agora para oficializar a descoberta e dar nome à espécie.

Kitahara acredita que haja outras colônias do coral espalhadas por ali, mas não sabe em que abundância e nem onde estão. Naquele mesmo mergulho de abril, ele identificou uma nova espécie de zoantídeo (um tipo de anêmona pequena), com apenas 2 milímetros de diâmetro.

Léo Francini e Marcelo Kitahara

Por:

Redação

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