Depois do artigo sobre realizar mergulhos saindo de praia, recebemos algumas mensagens com dúvidas sobre como entrar no mar de forma segura pela praia.
São perguntas básicas, mas demonstram que alguns cursos de mergulho precisam de um reforço, pois muitas informações não estão sendo repassadas aos alunos, e o resultado, são alguns exemplos negativos que temos presenciado por aí nos últimos meses.
Quando saímos de praia, a melhor forma de entrar no mar é já entrar com as nadadeiras nos pés, mas de costas para o mar. Dessa forma, o mergulhador consegue andar e adentrar sem dificuldades. Andando de frente, a água iria contra a palheta da nadadeira, o que dificultaria absurdamente o ingresso do mergulhador. Além de não conseguir andar corretamente, o mergulhador vai acabar se desequilibrando e caindo com os equipamentos.
Ande de costas em direção ao mar e quando a altura da água estiver acima dos joelhos, já será possível virar e nadar batendo pernas para sair da arrebentação, se for o caso.
Vale ressaltar que em praias com pedras, como é o caso de Bonaire, esse método não é recomendável. Nesse caso o ideal é entrar no mar, encher o colete e colocar as nadadeiras enquanto estiver flutuando, se não houverem ondas no local, claro.
Outro aspecto importante é a profundidade. Verifique a profundidade antes. Se o local fora raso demais, existe a possibilidade de colisão contra as rochas e se ferir. Em locais onde a profundidade possa ser grande, lembre-se de inflar seu colete e ter a certeza de que a válvula está totalmente aberta e o gás saindo com fluidez.

Saindo de bote inflável
Quando utilizamos as embarcações das operadoras de mergulho, pulamos na água para entrar, sendo o método mas eficaz e rápido para entrar na água, contudo, muitas vezes utilizamos embarcações de pequeno porte como o bote inflável, aspecto comum nas operações de Liveaboards.
Nesse caso, pular na água é impraticável e o melhor método é sentar no bordo da embarcação e se jogar de costas para a água. Não é nada complicado. O mergulhador deve segurar sua máscara com uma das mãos, e com a outra, segurar o cinto de lastro ou colete equilibrador, olhando antes, se não há mergulhadores na água ou algum tipo de objeto flutuando para não se chocar com ele.
Se for usar algum equipamento fotográfico ou de vídeo, é recomendável pedir ao divemaster ou algum amigo, que lhe entregue o equipamento após a entrada na água, eliminando assim, a possibilidade de choque do equipamento contra a água e risco de danificá-lo.
Esse último aspecto também serve para quem pula na água a partir de uma embarcação, pois o impacto do equipamento é ainda maior e ninguém quer começar o mergulho já com problemas de alagamento, certo ?
Conclusão
A entrada da na água não tem mistérios, sendo um procedimento básico, imprescindível e que todos os mergulhadores devem saber como proceder para evitar transtornos, ou até mesmo, acidentes.
Vídeos
Realizando os procedimentos corretos, evitamos exemplos como nos vídeos abaixo:

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



