Desembarque em ilha: Um procedimento arriscado para o mergulhador

Em toda a costa brasileira possuímos muitas ilhas, onde a grande maioria delas é inabitada.

Todas as ilhas pertencem a Marinha do Brasil, com algumas sob autorização para uso privado. Muitas outras estão sob a administração e supervisão de órgãos ambientais como o IBAMA, ICMBio, Fundação Florestal, dentre outros. Nesses casos, é preciso uma autorização especial para realizar um desembarque em qualquer uma dessas ilhas, caso contrário, você estará sob pena de severas multas.

Unidades de Conservação, APA e Parque Marinho, são áreas de proteção ambiental e possuem uma série de restrições e regras.

Resolvi escrever sobre tema, pois não é raro ver algumas pessoas subindo em ilhas inabitadas ao longo da costa sem um propósito científico, e o desembarque pode ser uma tarefa arriscada, pois além de multas ou até prisão em alguns casos, há grandes chances de que alguém venha a se machucar e ter ferimentos mais sérios naqueles ao se aventurar na busca fotos, desbravar o local ou até para pescar.

Como normalmente não há qualquer tipo de deck nesses locais, o que se vê por aí, são embarcações se aproximando muito das pedras e pessoas pulando para a ilha sem o menor cuidado, e é nesse momento que um acidente sério pode ocorrer, porque com o balanço da embarcação pelas ondulações, uma pessoa pode acabar escorregando e cair sob as rochas, mariscos e partes pontiagudas. Em casos mais raros, até sofrer algum tipo de esmagamento pela embarcação por ter sido jogada contra as pedras.

Além disso, o ambiente pode contar com algum tipo de animal perigoso. A ilha da Queimada Grande, no litoral sul do Estado de São Paulo, tem o desembarque proibido e a ilha é repleta de cobras extremamente venenosas. Aliás, se uma pessoa for pega subindo lá sem um bom motivo, ou melhor, se não for um “náufrago”, muito provavelmente ela corre o risco de acabar sendo presa pelos órgãos ambientais se for pego em flagrante. Vale lembrar, que frequentemente a Marinha do Brasil e alguns órgãos ambientais, fiscalizam o local.

Portanto, nunca é uma boa realizar um desembarque sem ter a certeza de que não haverá problemas no desembarque.

O desembarque em uma ilha também pode interferir nos animais que habitam o local, pois além de incomodá-los, qualquer tipo de objeto deixado para trás poderá acarretar na morte de alguns deles, e não é raro, por exemplo, acabar encontrando alguns pássaros utilizando objetos deixados pelo homem em seus ninhos ou, acabar morrendo por terem engolido algo que não deveria.

Se você pretende realizar algum desembarque, procure saber antes se o procedimento é permitido, veja como o desembarque poderá ser realizado com segurança, e não esqueça qualquer objeto para trás, tomando todo o cuidado possível para não interferir nos principais habitantes do local.

 

Foto: Clécio Mayrink

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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