Destroços encontrados em Paraty podem ser do helicóptero de Ulysses Guimarães

No dia 02/12/2018, ao içar a rede, pescadores caiçaras da Vila de Trindade trouxeram para a superfície uma peça metálica. Eles trabalhavam em um ponto próximo à costa, na região conhecida como Cabeça do Índio, diante da Praia do Cachadaço, na Vila de Trindade, local relatado inúmeras vezes como sendo uma área complicada, pois as redes de pesca ficam presas em objetos submersos.

“Como os pescadores que atuam nessa área queriam eliminar esse enrosco e sou conhecido, me pediram ajuda nessa tarefa”, conta Flávio Alcântara, instrutor da IANTD, natural da região de Mamanguá e que atua em Paraty.

Ele e quatro pescadores foram até o local onde ocorriam os enroscos usando uma pequena lancha, e apesar da forte correnteza, em seu primeiro mergulho constatou a existência de artefatos metálicos e emaranhados em redes de pesca aos 28m de profundidade.

O grupo decidiu recuperar o material e posteriormente realizaram novas explorações até o local, recuperando oito peças no total e transportando-as até à praia, onde posteriormente encontraram um pedaço de osso incrustado em uma das peças.

Um exame das peças e do fragmento do osso poderá confirmar ou não, a possibilidade de que seja dos restos mortais do político Ulisses Guimarães, desaparecido desde a queda do helicóptero em que viajava, em 12/10/1992.

O helicóptero Esquilo PT-HMK caiu nas proximidades de Paraty-RJ tirando a vida de seus cinco ocupantes: o deputado Ulysses Guimarães, sua esposa, Mora, o ex-senador Severo Gomes, sua esposa, Anna Maria Henriqueta Marsiaj Gomes, e o piloto Jorge Comemorato. O corpo do deputado jamais foi encontrado.

Novas peças encontradas este ano

Segundo Flávio, “as partes encontradas não são pequenas e devem ser estruturais, por serem constituídas por metais mais resistentes à corrosão. Apesar de bastante degradadas pelo tempo que permaneceram submersas (±27 anos), ao serem removidas as incrustações, elas mostram marcações em alto relevo, sendo que em uma delas há um fragmento de osso com cerca de 20cm.”

No dia 06/02/2019 uma equipe do CENIPA levou as peças metálicas para análise, mas ainda não publicou o relatório final.

Nessa mesma data, o instrutor Flávio e representantes do CENIPA foram até a Delegacia de Paraty (167° DP) para fazer o Registro de Ocorrência. O fragmento de osso, acompanhado desse documento, foi encaminhado ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, afim de extrair o DNA do osso encontrado e conseguir a identificação genética.

Ulysses Guimarães – Foto: Roosewelt Pinheiro – Agência Brasil

O acidente

Na tarde de 12/10/1992, durante uma tempestade na região de Angra dos Reis e Paraty, o helicóptero em que estava Ulysses Guimarães acabou caindo.

Com exceção do deputado, nas primeiras 48h todos os corpos foram encontrados.

Não foi possível identificar o ponto exato da queda da aeronave e somente pequenas partes e documentos pessoais foram achados espalhados pela costa. A hipótese mais aceita é que a aeronave tenha sofrido alguma pane e veio a colidir fortemente contra a água.

Anos atrás algumas partes do motor e do assoalho foram encontradas por um pescador nos arredores de Paraty, e em julho de 2002, o Departamento de Aviação Civil (DAC) do Rio de Janeiro confirmou que se tratavam do helicóptero do deputado Ulysses Guimarães.

Fonte: IANTD Brasil

Por:

Redação

Se você possui algum conteúdo relacionado ao mergulho e acha que pode ser interessante dividir com outros mergulhadores ?

Clique aqui e entre em contato conosco e evie o conteúdo para a maior revista eletrônica sobre mergulho do Brasil, com acesso gratuito aos mergulhadores.