Dicas de manutenção e cuidados com a Caixa Estanque

Alguns procedimentos contribuem para a longevidade dos equipamentos de mergulho, principalmente quando envolvem eletrônicos, e principalmente material fotográfico ou de vídeo.

Jamais deixe sua caixa estanque exposta ao sol, pois além dos raios solares degradarem o equipamento, isso diminui a possibilidade dela embaçar. Quando estiver ao ar livre, principalmente em dias ensolarados, a dica é colocar uma toalha molhada sobre a caixa estanque, pois se os raios solares ficarem atingindo sua caixa estanque, isso poderá causar condensação no interior do equipamento e ser um problema na hora do uso.

Alguns profissionais recomendam usar os saquinhos anti umidade para evitar que o domo venha a embaçar, por outro lado, procuro usar o papel alumínio (Leia mais aqui), que é barato, fácil de comprar e tem funcionado.

Um aspecto importante, é jamais pular na água com seu equipamento fotográfico em mãos. Entre na água e peça alguém para entregá-lo log depois. O impacto do equipamento na água poderá causar danos e trazer problemas desnecessários, até porque esse tipo de equipamento não é fabricado para receber impactos.

Ao sair da água, procure sempre entregar seu equipamento para um dos tripulantes, combinando previamente onde sua câmera será colocada e os cuidados com o manuseio, evitando a possibilidade de arranhões e impactos. Já tive um difusor de flash danificado durante um Liveabord, pelo descuido do divemaster da embarcação, ocasionando um prejuízo de US$ 50, fora o transtorno em conseguir comprá-lo novamente.

Ao retornar para a embarcação de mergulho, coloque sua câmera em um compartimento com água doce e deixe por alguns minutos imersa na água. Pressione algumas vezes os botões de comando da caixa, enquanto submersa, para que a água penetre nesses botões e ajude a remover possíveis cristais de sal que venham a criar. Depois, seque a caixa com uma toalha e fora do alcance do sol.

Jamais deixe sua câmera sem “vigilância” no tanque de enxágue. Já vi alguns alagamentos no próprio tanque de enxágue, em razão dos choques entre caixas estanques, batendo uma nas outras, com a movimentação da embarcação.

Procure manter uma capa de neoprene sobre a porta do domo o máximo de tempo possível, pois diminuirá a possibilidade de arranhões e, procure entrar e sair da água com a proteção no domo.

Fazer um teste da caixa estanque em uma piscina sem a câmera para certificar-se de que a caixa está sem vazamentos, é muito importante, principalmente se ela for nova. Uma possibilidade, é levá-la até uma oficina especializada e efetuar um teste em câmara hiperbárica. Em São Paulo, a Scuba Repair realiza esse teste na maioria das caixas estanques para foto, e você não perde um mergulho testando sua caixa. Leia mais aqui.

 

O-ring’s lubrificados – Foto: Clécio Mayrink

 

Manutenção dos o-ring’s

Procure realizar a manutenção de sua caixa estanque anualmente com empresas especializadas.

Após um dia de mergulho, você deve limpar e lubrificar os o-rings. Faça isso no o-ring da caixa, com o-ring da porta e no o-ring do compartimento da bateria dos flashes. Se houver cabo eletrônico, ele também possuirá o-ring e precisam ser limpos e verificados.

Não lubrifique excessivamente esses anéis de vedação, pois o excesso de lubrificante, é perfeito para grudar grãos de areia, sujeita ou fios de cabelo. Passe o suficiente para lubrificar e sem deixar excessos, usando silicone fornecido pelo fabricante da caixa. Há diversos tipos de silicone disponíveis no mercado, mas há variações em seus componentes químicos e que podem interferir na borracha do o-ring.

O uso de soprador de ar ajuda bastante na remoção de fios de cabelo e grãos de areia, muito comuns de serem encontrados nas áreas dos o-ring’s. Algumas pessoas se sentem confortáveis ​​em passar alguns dias sem remover e lubrificar os o-rings de suas caixas estanques se não estiverem abrindo a porta traseira, mas já tive uma experiência onde quase perdi minha câmera por causa dessa prática e não recomendo. Ter uma caixa estanque é como ter um filho pequeno… precisa de atenção todos os dias, antes e após os mergulhos.

 

Preparação da caixa subaquática

Os procedimentos de cuidados da caixa estanque devem ser feitos sem pressa, em uma área calma, descomplicada e bem iluminada. De preferência bem antes de mergulhar.

Apressar esse procedimento ou fazê-lo em uma embarcação sem espaço, tem sido a causa de muitos alagamentos. Inspecione a caixa cuidadosamente antes e depois de fechá-la para certificar-se de que nada ficou preso entre a tampa e a caixa em si.

Com a câmera instalada, faça uma foto de teste com acionamento dos flashes. Certifique-se de que a foto saiu corretamente e que ambos os flashes foram acionados.

Verifique a configuração de configuração ISO e JPEG / RAW de sua câmera e se ela está focando adequadamente.

 

Erros comuns

  • Esquecer de remover a proteção da lente;
  • Esquecer de inserir o cartão de memória na câmera;
  • Deixar a lente ajustada no foco manual;
  • Não conectar a sapata dos flashes com cabo eletrônico;
  • Não verificar se a bateria instalada está com carga suficiente.

 

Causas mais comuns para alagamentos de caixas estanques

  • Fechar a caixa e ter um pacote dessecante preso no o-ring ou um fio cabelo grande é um dos aspetos mais comuns. Procure observar atentamente ao fechar a tampa traseira de sua caixa estanque. Nada pode encostar no o-ring enquanto a caixa estiver sendo fechada.  Quando for fechá-la, faça o fechamento em uma área bem iluminada para que você possa observar em detalhes, não esquecendo que o mesmo deve ser feito no caso dos o-ring’s, do flash e do domo;
  • Sal e sujeira se acumulando nas áreas dos o-ring’s ao longo do tempo são causas frequentes. Certifique-se de limpar bem essas áreas;
  • Falha ao apertar os cabos de sincronização dos flashes;
  • Travas da caixa estanque com fechamento inadequado. Verifique antes de entrar na área.

 

O-ring com grãos de areia – Foto: Clécio Mayrink

 

Caixa embaçando

Sua caixa estanque embaçou embaixo d’água ?

Muitas pessoas acabam tendo esse tipo de problema, não sendo raro alguém perder a chance de tirar fotos num mergulho por esse motivo. Muitos fabricantes recomendam ter um ou dois dessecantes novos e recém “carregados” em sua caixa, ou experimente usar o papel alumínio. Particularmente não gosto do uso de dissecantes, pois você vira dependente dessa coisa, além de ser caro e de difícil aquisição no Brasil.

Procure deixar sua caixa estanque em uma área fresca e seca, para minimizar a umidade dentro dela.

Outro grande problema é o choque térmico, aliás, o principal deles. Fechar a caixa em um ambiente com ar condicionado e depois deixá-la exposta em um ambiente com ar quente, aumentará significativamente as chances dela embaçar. Uma toalha molhada sob o equipamento vai ajudar bastante a evitar esse tipo de problema.

Câmeras compactas são mais suscetíveis a embaçar por usarem caixas de acrílico.

 

Manutenção no barco – Troca de Lentes e Baterias

Se não houver jeito e realmente você precisar abrir a caixa para mexer em algo, procure:

  • Enxaguar rapidamente a caixa em água doce, se ela estiver molhada com água salgada;
  • Seque-a com uma toalha e depois com um pano absorvente para lentes;
  • Tenha uma toalha de papel à mão;
  • Abra a caixa estanque em uma área calma, protegida, seca e sem pessoas ao redor;
  • Remova a água dos o-ring’s, usando uma toalha de papel imediatamente após abrir a caixa;
  • Examine cuidadosamente as áreas críticas antes de fechar a caixa, usando uma lanterna, se necessário.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

Abrindo uma caixa de câmera compacta em um barco

Caixas estanques de câmeras compactas embaçam mais facilmente após serem abertas em uma embarcação. Se possível, tenha dessecantes secos e frescos para inserir na caixa e ajudar a evitar esse tipo de problema.

Se a sua caixa possuir um detector de vazamento, não deixe de monitorá-lo durante  a descida.

 

Manutenção do cabo de sincronização

Cabos de sincronização merecem mais atenção, e por isso muitos fotógrafos deixaram de usá-los. Costumam ser mais caros e apresentam mais problemas. Leia mais aqui.

Certifique-se de desconectá-los cuidadosamente após alguns mergulhos, seque cuidadosamente os contatos e lave com água doce. Use uma escova de dente para limpar os contatos metálicos nas extremidades.

As arruelas dos cabos de sincronização podem endurecer permanentemente se não forem removidos após alguns mergulhos e o local onde elas ficam , deve ser limpo com uma escova de dente.

Remova e limpe cuidadosamente os o-ring’s de vedação do cabo de sincronização e lubrifique-os novamente toda vez que eles forem removidos. Se estiver mergulhando e seus flashes dispararem sozinhos, muito provavelmente deve haver um pouco de umidade nos terminais metálicos onde os cabos de sincronização se conectam. Abra a caixa, verifique as conexões e seque todas elas. Não é raro haver oxidação esverdeada, e isso pode ser limpo com imersão em vinagre por 30 minutos e depois lavado com água doce, mas jamais deve ser feito numa embarcação.

 

Arranhões da porta do domo

Se você arranhar um domo de acrílico em sua área externa, não se preocupe, ele pode ser polido por um especialista, mesmo que haja alguns cortes mais profundos.

Arranhões leves do lado de fora geralmente não afetarão suas fotos porque eles serão “preenchidos” pela água e você não os verá facilmente nas fotos, apesar da chance deles podem refletirem o sol em fotos com luz ambiente ensolarada.

 

Grãos de areia e excesso de silicone – Foto: Clécio Mayrink

 

Limpando as portas e o domo de vidro

De vez em quando, suas lentes e portas precisarão de limpeza.

Limpe cuidadosamente o vidro de sua lente, soprando a sujeira e a poeira com um soprador  de ar, depois com uma escova macia, antes de limpá-la com papel para lentes. Do contrário, você pode arranhar o vidro;

Utilize papel de lente ou um pano de lente para limpar o vidro. Isso também vale para portas e dioptrias;

Guarde sempre as lentes com as tampas quando não estiverem em uso;

Tente não trocar as lentes em ambientes empoeirados. Troque sua lente o mais rápido possível para evitar poeira no sensor e quando sua câmera não estiver com a lente, o sensor dela deve estar voltado para baixo para evitar que a poeira caia sob ele, principalmente no caso de câmeras mirrorless.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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