Dois naufrágios na Laje de Santos

Todo mergulhador que visita a Laje de Santos, acaba conhecendo o naufrágio chamado Moreia.

Esse naufrágio é considerado o primeiro naufrágio artificial na costa brasileira, porque antigamente o  proprietário de uma operadora de mergulho em Santos, resolveu colocar uma embarcação na Laje, para criar um ambiente bonito e interessante para os mergulhadores.

Esse proprietário era o Clóvis Benno de Carvalho, e essa atitude dele, chegou a gerar uma dor de cabeça no passado, porque a Marinha queria a todo custo, identificar quem era o autor desse afundamento proposital, e nunca conseguiu confirmar quem era de fato.

Parece que até eles chegaram a desconfiar que tivesse sido o próprio Clóvis, mas não existiam provas.

Até onde sei, o Clóvis só assumiu a ação do afundamento (assista aqui) muitos anos depois, durante as gravações do documentário sobre a Laje de Santos da qual fiz parte.

Foi um documentário completo promovido pelo Instituto Laje Viva, também conhecido como  ILV.

Agora, o que pouca gente sabe, é que a Laje de Santos possui dois naufrágios, o Moreia e o São Judas Tadeu.

São Judas Tadeu ?

Sim, São Judas Tadeu.

Ele era um pesqueiro de grande porte. Possuía 22m de comprimento e transportava no dia do afundamento, 20 tripulantes.

Ninguém sabe ao certo, como foi a toda a situação, porque o afundamento ocorreu em 23 de outubro de 1978, e naquela época, a mídia não era tão rápida e bem equipada como hoje em dia.

Numa ocasião, conversando com o Cláudio Poggetto, da operadora Orion Diver, mencionei sobre algumas peças de naufrágio na área do portinho da Laje de Santos, até que ele surgiu com o comentário de que aquelas peças eram partes de um naufrágio ocorrido anos atrás, chegando inclusive a dizer, que a informação constava em um site sobre naufrágios, indicando que o afundamento teria ocorrido em 1900.

Fiquei intrigado com isso e resolvei pesquisar, e depois de algumas horas pesquisando, encontrei em três jornais antigos a notícia sobre o afundamento do São Judas Tadeu na Laje de Santos.

Segundo elas, a embarcação acabou pegando uma condição de vento muito forte e foi jogado contra as pedras, e por ali ficou.

Como a embarcação era de madeira, ele se desfez completamente, ficando por ali, só as partes metálicas e que ainda podem ser vistas pelos mergulhadores.

Mergulhando por ali, ainda encontramos os tanques, âncora, motor, cilindro de acetileno, eixo e leme, que estão completamente desfigurados pela vida marinha.

Ainda segundo as notícias dos jornais de época, dos 20 tripulantes, 8 perderam suas vidas sumindo no mar.

O restante se salvou usando um bote de resgate e, os demais, subindo na própria Laje de Santos.

Agradecimentos

Meus agradecimentos ao Claudio Poggetto da operadora Orion Diver, pelo suporte nos mergulhos que a nossa equipe faz por lá, e por compartilhar seu conhecimento histórico conosco.

É importante registrar esses fatos e divulgá-los, pra que todos possam conhecer as histórias e acontecimentos em nossa costa, porque infelizmente, a informação acaba se perdendo com o passar dos anos e ficamos sem saber e, até imaginar, os fatos históricos que aconteceram em um determinado local.

Localização aproximada das peças do naufrágio

Foto: Clécio Mayrink

Vídeo

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount IANTD, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho, fotografia e vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, sendo o idealizador do portal Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP) e responsável pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministérios dos Esportes.

Atuou na produção de diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência para a mídia, órgãos públicos e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO, quando o assunto é naufrágio.

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