Tenho o costume de tempos em tempos, verificar a pressão do cilindro do meu dupla. Isso me ajuda a conhecer o perfil de consumo da pessoa e poder ajustar o mergulho e saber o quanto posso me distanciar do ponto onde iniciamos o mergulho.
Quem já foi meu dupla, sabe dessa tratativa e do quanto dá certo. Lembro bem de um mergulho recente, onde em dado momento o dupla me perguntou onde estava a embarcação da operadora, e apontei para cima. Ele olhou e ficou abismado ao perceber que realizamos o mergulho com a pressão de seu cilindro entrando na reserva no momento em que havíamos chegamos justamente no local em que iniciamos o mergulho.
A experiência em mergulho me ajudou muito, afinal de contas, já ultrapassei os 35 anos de mergulho.
Sempre me preocupei com esse tipo de controle, pois odeio ter que sair correndo para regressar até a embarcação, porque o dupla desligou sua atenção durante o mergulho e não percebeu que a pressão de seu cilindro já havia baixado além do esperado, e infelizmente esse tipo de preocupação não é comum a todos os mergulhadores, não sendo raras às vezes em que vemos pessoas terminando o mergulho praticamente sem gás no cilindro e correndo riscos desnecessários, por desrespeitar as regras básicas da atividade.
Atenção durante o mergulho
Além de seguir as regras básicas do mergulho em si, o mergulhador deve estar atento ao local onde o mergulho foi iniciado, pois isso facilitará a finalização do mergulho, e consequentemente, o regresso até a embarcação da operadora.
Outra recomendação, é ter atenção ao manômetro, mantendo um controle sobre o consumo do gás, pois assim, você conseguirá ao longo do tempo ter uma ideia de consumo. Não custa nada a cada 10 minutos dar uma olhadinha rápida em seu manômetro e conferir a pressão do cilindro.
A troca de informações entre os mergulhadores também é um fator que contribui para uma relação melhor durante o mergulho, permitindo verificar quem está consumindo mais rápido e poder se planejar para um regresso no tempo hábil e de forma segura.
É importante dobrar a atenção nos mergulhos em profundidades maiores, pois o consumo aumenta exponencialmente, e como a grande maioria dos mergulhadores recreativos está acostumada a executar seus mergulhos em baixas profundidades, é muito comum, que ao descerem além dos limites impostos pela certificação e/ou por estarem em locais que propiciam essas ocasionalidades (mergulhos mais fundos), a pessoa acabar ficando sem gás ou tomar um grande susto ao olhar para o manômetro e perceber que está quase sem gás.
Logo, procure seguir as regras, não ultrapasse seus limites e os limites relacionados com a sua certificação. Isso o deixará mais seguro e não o colocará sob risco desnecessário.
Um exemplo em vídeo
O vídeo abaixo é um excelente exemplo do que mencionei acima.
Dois mergulhadores resolveram descer aos 45m de profundidade, enquanto um mergulhador mais experiente e atento, percebeu o problema em que os dois estavam se envolvendo, conseguindo antecipar o acidente.
Ele acabou chamando a atenção dos outros dois que nadavam livremente em direção ao fundo e sem atenção ao risco que estavam correndo.
Por sorte, os mergulhadores ouviram a chamada do outro mergulhador e percebendo o problema, terminaram o mergulho nadando rapidamente para a superfície, se safando do acidente inevitável e totalmente desnecessário.
Assista abaixo o vídeo:

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



