Todo mergulhador que curte mergulhar em novos ambientes, normalmente não consegue encontrar um local sem desejar realizar um mergulho diferente. Seja pela aventura, diversão ou conhecer novos ambientes e, isso ocorre também no mergulho em água doce.
Mas é importante respeitar alguns aspectos importantes para que o mergulho seja seguro, principalmente quando falamos em locais como lagos, rios e cachoeiras.
Assim como no mergulho no mar, o mergulho em locais com água doce, o mergulhador também deve estar atento com sua segurança para não ser pego de surpresa. Vejamos alguns pontos abaixo.
Acesso
Diferentemente do mar, onde normalmente alcançamos o ponto de mergulho utilizando uma embarcação ou simplesmente entrando na água por uma praia, o acesso aos rios, lagos e principalmente as cachoeiras, nem sempre acabam sendo tão fáceis, e muitas vezes, é importante planejar a logística para o transporte dos equipamentos e eventuais situações emergenciais, pois tudo é mais complicado nesses ambientes.
Muitas vezes chegamos ao ponto de mergulho tendo que caminhar por trilhas não preparadas para o recebimento do público em geral, o que pode ser um problema, principalmente se o mergulho for autônomo, isto é, utilizando cilindros de mergulho, pois como sabemos, são pesados, volumosos e algumas vezes bem, difíceis de serem transportados.
Logo, é importante planejar como será realizado o transporte dos equipamentos até o local, e confirmar se tal procedimento, é possível e sem riscos.
Procure obter informações previamente sobre o local, como alcançá-lo e se há riscos para o transporte do material em si.
Muitas vezes o “pouco” é mais, ou seja, nem sempre levar cilindros de mergulho é uma boa pedida. Talvez acabe valendo mais à pena realizar um simples snorkeling para conhecer o local, para depois, cogitar a levar os equipamentos mais pesados.

Animais e insetos
Durante a caminhada até o ponto de mergulho ou até mesmo no próprio local onde se pretende mergulhar, os cuidados com animais e insetos devem ser redobrados.
Por se tratar de um ambiente bem diferente das cidades, a presença de animais e insetos é certa, e devemos tomar mais cuidado durante a caminhada e até mesmo com os equipamentos, pois simplesmente deixá-los no chão por poucos minutos, poderá facilitar a aproximação destes seres.
Por exemplo, os bocais de snorkel e reguladores, permitem a entrada de insetos, e mergulhar sem dar uma verificada prévia, poderá colocar o mergulhador sob risco de engasgar algum ser para o interior do corpo e, até provocar a morte em situações mais graves.
Protetores de bocais podem ajudar na proteção desses equipamentos, inclusive. Meias e botas de neoprene, também permitem facilmente a entrada de insetos e o mergulhador só acaba descobrindo o problema, após a colocação do material nos pés e tomar uma picada de aranha, por exemplo. Aliás, existem alguns relatos com este tipo de problema na internet.
Procure evitar deixar seus equipamentos jogados no chão sem uma proteção. Deixá-los em uma bolsa fechada, é sempre o melhor a ser feito.
Em casos mais raros, o encontro com animais silvestres também é uma possibilidade, sendo recomendável planejar com os demais participantes da aventura, que postura adotar, caso surja algum animal nas proximidades e, principalmente, se o mergulho for realizado em local mais hostil.
Em alguns locais do centro-oeste brasileiro encontramos o peixe Piranha, que pode atacar a pessoa, sob risco de morte. Ao norte do país, em alguns rios há o Candiru, um pequeno parasita que também pode trazer grandes problemas ao mergulhador desinformado.
Tromba D’água
A chamada “Tromba D’água”, também é um fator que deve ser levado muito a sério. As trombas d’água ocorrem de uma hora pra outra, e por isso, é muito importante estar atento ao clima e evitar mergulhar em dias de chuva ou com grande possibilidade de.
Conversar com os moradores da região pode ajudar bastante neste sentido, para não ser pego de surpresa.
Procure verificar possíveis saídas para o caso de uma eventual situação de emergência.
Densidade da Água Doce
A densidade de água doce é bem diferente da água salgada, e quem não está acostumado a mergulhar com essa diferenciação, pode tomar um susto, pois afundamos muito mais rapidamente e necessitamos de muito menos lastro.
Procure tomar cuidado com o uso excessivo de lastro e, caso necessite se livrar dele rapidamente, esteja condicionado a realizar o procedimento de forma rápida.
A imersão com ganho de profundidade na água doce ocorre de forma rápida, sendo importante estar atento ao profundímetro, para um melhor controle da flutuabilidade e do mergulho.
Altitude
É muito comum os mergulhos em água doce serem realizados sob uma altitude bem superior ao do mergulho convencional no mar, e você deve estar atento à altitude em que o ponto de mergulho se encontra, para evitar a possibilidade de uma doença descompressiva.
Se o local do mergulho está acima dos 1.000m e você não está familiarizado com mergulho sob altitude, não possui computador e principalmente, não possui a especialidade nesse tipo de mergulho, talvez o melhor seja ão mergulhar com equipamento autônomo e obter previamente, um conhecimento aprofundado no assunto antes de realizar esse tipo de mergulho.
A tabela para mergulhos sob altitude são diferentes das tabelas convencionais, inclusive. Por isso, é mais do que importante, não só ter em mente a profundidade do local onde se pretende mergulhar, como saber a altitude onde se encontra.

Correnteza
Em alguns locais onde o mergulho de água doce pode ser realizado, pode haver a influencia de correntes, por isso, devemos descobrir se o local onde se pretende mergulhar, possui algum tipo de corrente que por ventura possa surgir durante o mergulho, e colocá-lo sob risco.
Uma conversa com os moradores locais, também o ajudará no planejamento nesse sentido.
Conclusão
O mergulho é uma atividade muito segura, se realizada dentro dos limites do mergulhador.
Assim como tudo na vida, o mergulho em água doce é excelente forma de conhecer novos ambientes e para obter novas experiências no mergulho esportivo, desde que ele seja realizado com planejamento adequado e nos limites da segurança de todos os envolvidos.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



