Museu da 2ª Guerra Mundial em Maceió-AL

Entrada do museu

Na verdade eu estava buscando encontrar o naufrágio do U-128, submarino alemão Tipo IX C, afundado em combate ao largo da cidade de Maceió em 17/05/1943. Seguia informes do mergulhador Marco, amigo da Major Elza e de pescadores da região.

Major Elza – Criadora do museu

Infelizmente não conheci os dois primeiros, ambos já falecidos quando desembarquei na hospitaleira Maceió. Tinha certeza de que o u-boat estava perto da costa e a não mais de 30m de profundidade. Foram duas semanas de mergulhos em alguns locais suspeitos de serem a sepultura submarina do U-128. Não encontrei nada. Nem ferrugem. Uma pena.

Contudo não queria desperdiçar a viagem e realizei dois mergulhos no paquete Itapagé. Foram dois dos melhores da minha vida de modesto mergulhador CMAS**.

O Itapagé, belo navio da Companhia Nacional de Navegação Costeira, com quase 5.000t de deslocamento, foi torpedeado pelo U-161 no través de Lagoa Azeda, Alagoas, em 26/09/1943 e naufragou rapidamente em mar encapelado. Explorar seus destroços aos 28m foi emocionante, memorável. Mas eu queria mais e fui pesquisar toda a história do navio no Arquivo Municipal, na Biblioteca Pública, no Jornal Gazeta de Alagoas, no cemitério Nossa Senhora da Piedade e, o mais proveitoso, no Museu da II Guerra Mundial.

Essa interessante instituição de memória, foi criada e organizada pela conhecida Major Enfermeira da Força Expedicionária Brasileira (FEB), Elza Cansanção de Medeiros.

O museu encontra-se sediado em um espaço cultural dentro do 20ª Circunscrição de Serviço Militar, quartel do Exército Brasileiro, que ocupa, desde 1967, no prédio histórico do Forte São João. Este fato, acredito, dificulta um pouco a divulgação e as visitas ao museu, apesar dele ter um acervo temático considerado o mais rico na região norte e nordeste do Brasil.

Em uma das salas, chama de imediato à atenção do visitante, o busto do Marechal Mascarenhas de Morais, comandante da FEB, e outro da Major Elza, ambos em bronze e em tamanho natural. Nas vitrines, é possível ver uma grande variedade de armas, munições, peças de fardamento, equipamentos, bandeiras, medalhas, etc.

Também nas paredes estão muitas fotos, mapas e documentos. No expositor dos capacetes de aço, havia algumas etiquetas de identificação trocadas, detalhe alertado por mim ao sargento que me acompanhava. Em outra vitrine estava uma icônica submetralhadora alemã MP 40, sonho de muitos colecionadores. Espalhados pelas salas, também podiam ser apreciados metralhadoras Madsen, Browning, morteiros, minas terrestres, detectores e uma bazuca.

Em outro espaço estavam dispostos um grande número de objetos resgatados do Itapagé, tais como talheres, tigelas, xícaras, pratos, placa, garrafas, ampolas com medicamento, escotilha, um corrimão, instrumentos de navegação, etc.

O museu, criado pela Major Elza em 14/03//1996, situado na 20ª CSM, na Praça Olavo Bilac 33, Maceió, Alagoas, tendo entrada franca e sendo dirigido pelo chefe desta organização militar.

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Museu do Itapagé – Fotos: Nestor Magalhães / Google Photos

Por:

Nestor Magalhães

Nestor Magalhães é 2° Tenente R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, mergulhador CMAS** com seis especializações (Noturno, Naufrágio, Orientação, Nitrox, Roupa seca e Salvatagem) Submarinista Honorário da Marinha do Brasil, Medalha Mérito Tamandaré e autor dos livros U Boats – Mergulhando na História e De Truk a Narvik – Mergulhando na História. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda a costa brasileira, destacando entre outros, a participação em uma expedição exploratória nos naufrágios do Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios da costa leste americana, Mar Negro, Golfo de Biscaia, costa norte de Portugal, Truk Lagoon, Havaí, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Scapa Flow, Ilha Hakoy, Narvik, Guadalcanal e Malta.