O naufrágio do Carolina aconteceu por volta de 17/09/1913, no lado direito da entrada do Canal de Itajurú, batendo em algumas rochas bem próximas à cidade de Cabo Frio, litoral norte do Rio de Janeiro. Um pouco antes do seu afundamento, a tripulação do Carolina ajudou a salvar dois náufragos de uma pequena lancha, e mal sabiam que também seriam náufragos posteriormente.
O navio pertencia a Empresa Espírito Santo Caravellas, havia deixado os passageiros em Cabo Frio e seguiria até o Espírito Santo, logo após o descarregamento.
Enquanto o navio estava sendo descarregado, um mau tempo se instalou na região, provocando o rompimento das amarras e deixando o navio à deriva. Enormes vagas faziam com que o navio colidisse com muita força contra as pedras, agravando a situação toda.
A tripulação conseguiu escapar com segurança usando botes e felizmente não houve mortes.
O Carolina foi construído em 1901 em Southampton, sul do Reino Unido, tendo os nomes Paraná e União anteriormente. Era um vapor com motor de 83 HP, tendo 54m de comprimento.
Uma lenda
Segundo o conhecido instrutor de mergulho, Paulo Dias, um profundo conhecedor das histórias de naufrágios ocorridos no Estado do Rio de Janeiro, o Carolina levava consigo máquinas de costura Singer e carga variada.
Reza a lenda, que a conhecida região de roupas e biquínis em Cabo Frio, foi criada com o afundamento do Carolina, onde muitos teriam resgatado partes da carga perdida e passaram a produzir roupas na cidade.
Lendo os jornais de época, há indícios de que parte do casco do Carolina que ficara deixado para trás, tenha sido leiloado como sucata.

Mergulho
A profundidade média gira em torno dos 5 a 7m, podendo alcançar os 15. A visibilidade pode alcançar os 15m em dias de água clara.
Pouco sobrou do naufrágio, pois já são mais de 100 anos submerso e sofrendo todos os dias com o contato direto com o mar, mas o grande destaque é a caldeira que abriga grande vida marinha no local.
É possível avistar duas âncoras e pedaços das chapas no local. Infelizmente devido a baixa profundidade, isso facilitou os saques.
Como chegar
Para se chegar ao naufrágio Carolina, é possível nadar até ele, pois são 350m beirando o costão, porém, não é recomendável, pois será necessário atravessar o Canal de Itajurú, que apesar dos seus 65m de largura, possui intenso tráfego de embarcações, sendo arriscado fazer essa travessia dessa forma.
É possível ir de Stand Up Paddle (SUP) e fazer um snorkeling no local. Ainda assim, a melhor opção é conhecer o naufrágio tendo uma embarcação de apoio, por trazer mais segurança aos mergulhadores.
Colaboração: Paulo Dias

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



