Nestor Magalhães e o objeto não identificado durante o mergulho

A história que vou recontar agora atende seis solicitações. Ela é real, aconteceu !

Estava em Malta, arquipélago com cerca de 316 km² salpicada de vilarejos, com uma arquitetura distinta e um idioma indecifrável. Tudo dentro de um cenário fantástico, rodeado por um Mediterrâneo azul e cintilante, pois ali, ocorreram acirrados combates durante a II Guerra Mundial, no ar e no mar.

Um dos diversos naufrágios da guerra em que mergulhei, foi o de um Beaufighter que caiu no mar no dia 17 de março de 1942, ao largo da Baía de São Julian.

Eu, o guia Conrad e o capitão Jeffrey, com o seu super inflável, partimos de um pequeno cais próximo da operadora Cresta Dive Centre.

O mar estava como a superfície de uma piscina, azul, transparente, em um dia ensolarado.

Em pouco tempo alcançamos o local e com o auxílio do GPS e já manobrávamos na vertical do naufrágio.

Não havia nenhuma marcação na superfície, mesmo assim o Conrad entrou de costas na água e eu fiquei a bordo, sentado, equipado com todo aquele peso desconfortável.

O guia estava procurando uma boia submersa que sustentava um cabo que seguia até o Beaufighter. Me esperava lá embaixo. Nisso, o capitão começou a gritar:

– Pula Néster ! Pula Néster !
– Que droga, pular a onde ? Respondi.
– Depressa, Néster !
– Pula, pula nas bolhas, Néster ! Vai de uma vez !

Completou o capitão Jeffrey com autoridade.

Entrei na água um pouco atrapalhado, afobado.

Liberando o ar do colete num assobio, conferindo o manômetro, clipando a câmera sub, girando a coroa do relógio. Minha nossa !  É muito detalhe e é por isso que eu nunca mergulho de luvas. Elas tiram o tato.

Maravilhosa transparência, e ali estava o guia inglês Conrad.

Lá embaixo, a 40m, já podia ver o Beaufighter. Estava emborcado em um fundo arenoso e pouco tempo depois, nadava em volta do avião. Aquilo era História, era emoção e passou muito rápido. O guia, junto ao cabo, já sinalizava emergir.

Subimos lentamente pelo cabo até a parada de segurança a 5m de profundidade. Estava bem, não tive sinal algum de narcose e respirava compassadamente. Foi então que eu vi…

Era um objeto retangular, na forma de uma geladeira, cinza claro, de uma fosforescência que se alternava, mais ou menos. Estava a uns 30m e avançava neutro, em velocidade constante, para nós. Meio embaraçado, sem regular a câmera sub, fotografei.

Não era lixo marinho, destroço, rede ou algum animal. Chamei o guia. Alertei-o.

Conrad não viu ou fez que não viu, enquanto determinava nossa subida a bordo. Ora, com tantos anos de mergulhos, sei muito bem distinguir o comportamento de objetos na água: positivos, neutros ou negativos. Este era diferente.

Já a bordo do inflável, extasiado, procurei na superfície do mar bolhas, marolas ou qualquer outra coisa diferente na água. Nada !

O Mediterrâneo continuava plano. O que seria aquilo ?

Os apaixonados pelo assunto estão acostumados a vasculhar o céu, contudo muitas vezes acabam esquecendo dos oceanos, muito mais próximos, mas tendo locais inatingíveis, repletos de mistérios.

Ali estão muitos avistamentos sem explicação.

Até Cristóvão Colombo registrou no seu diário de bordo a aparição de um OSNI (Objeto Submarino Não identificado) e isto vem se repetindo, principalmente depois da II Guerra Mundial, na Rússia, países escandinavos, Estados Unidos e Porto Rico.

Já o meu, chamaremos de OSNI de Malta. O que seria aquilo ?

Que história !

 

Foto: Nestor Magalhães

Nestor Magalhães

Nestor Antunes de Magalhães é 2° tenente R/1 do Exército Brasileiro, serviu no Museu do Comando Militar do Sul. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, mergulhador CMAS duas estrelas com quatro especializações.

Submarinista Honorário da Marinha do Brasil, Medalha Mérito Tamandaré e autor dos livros U-Boats, De Truk a Narvik e De Guadalcanal a Creta - Mergulhando na História.

Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda a costa brasileira, destacando entre outros, a participação em uma expedição exploratória nos naufrágios do Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios da Costa Leste americana, México, Mar Negro, Golfo de Biscaia, Costa Norte de Portugal, Grécia, Truk Lagoon, Havaí, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Scapa Flow, Ilha Hakoy, Narvik, Guadalcanal, Malta, Palau, Croácia, Normandia, Rabaul, Vanuatu, Coron e Guam.

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