Pinguino – Ainda dá tempo para conhecê-lo quase inteiro

Foto: Clécio Mayrink

Por muitos anos mergulhei no naufrágio do Pinguino na Enseada de Sítio Forte, na Ilha Grande, onde tive a oportunidade de expandir meu conhecimento de mergulho em naufrágio, e explorando cada parte do navio que pudesse ver.

Também lembro que antigamente atravessávamos todo o corredor estreito do naufrágio entrando pela proa e saindo praticamente ao final de sua popa. Se não me falha a memória, logo no início desse corredor se encontrava a pequena abertura que todos os mergulhadores olhavam com suas lanternas a grande escuridão no interior do naufrágio, mas ninguém adentrava lá devido à restrição e dificuldade que a pequena abertura impunha ao mergulhador.

Anos depois munidos da configuração sidemount, eu e outro louco por naufrágios, resolvemos passar pela restrição e realizamos literalmente um shopping no interior do naufrágio, pois haviam diversos itens perdidos que os mergulhadores e deixavam por ali, pois como ninguém entrava nessa área do naufrágio para buscar  que fosse perdido, acabou havendo um acúmulo de equipamentos abandonados por lá.

Outra boa lembrança, foi a época em que o saudoso “Jamanta” de Angra dos Reis, nos levava para mergulhar com sua baleeira simples que saía de sua pousada, e que proporcionava maravilhosos mergulhos.

Os anos passaram, alguns amigos se foram, as operações evoluíram, mas o naufrágio do Pinguino continua por lá recebendo em todos os finais de semana, os mergulhadores que viajam até lá para se aventurar em seus escombros.

Infelizmente o naufrágio já não está nas mesmas condições do passado, pois com o contato direto com a água do mar ao longo de todos esses anos, aliado aos movimentos das marés e o contato com os mergulhadores, acabou acelerando o processo de degradação de suas chapas metálicas, tanto, que nos últimos anos ocorreram diversos desmoronamentos e o mergulho em seu interior foi proibido, para a segurança de todos.

Foto: Clécio Mayrink

Um navio com história

O Pinguino é um naufrágio com história, de fácil acesso e que sempre gera bonitas imagens para as lentes das câmeras.

Vale ressaltar, que uma característica que poucos sabem, é que antigamente o Pinguino era um antigo navio da Marinha americana e participou da Segunda Guerra Mundial antes de ser vendido para a Marinha Mercante.

Segundo os registros, o navio naufragou no dia 24/06/1967, transportava cera de carnaúba, e devido a um incêndio, afundou. Ele encontra-se entre os 7 e 18m de profundidade, sendo o ideal não ultrapassar os 15m, pois o fundo é lodoso, isto é, possui uma camada alta de lodo, não sendo aconselhável tentar encostar no fundo, sob o risco de algum enrosco em algo que não possa ser visto pelo mergulhador, por causa da baixa visibilidade.

Ainda é possível ver seu casario de lado, leme, guincho e demais áreas.

O ideal é que o mergulhador mantenha uma distância do naufrágio para não levantar suspensão (silt) na água, contribuindo assim para uma visibilidade melhor.

Foto: Clécio Mayrink

As fotos que captei para este artigo foram tiradas durante um Live Aboard do Enterprise, que é uma excelente opção de operação de mergulho naquela região, uma vez que você pernoita na Ilha Grande e logo no amanhecer, a embarcação já parada acima do naufrágio, e você consegue ser um dos primeiros a mergulhar no local e consegue uma visibilidade melhor, pois risco de sedimentos na água é menor, pela falta de mergulhadores na água.

Ficam meus agradecimentos a toda a equipe do Enterprise pelo apoio dado durante minha estadia e operação dos mergulhos realizados na região da Ilha Grande e Angra dos Reis.

Mais informações no site www.atlantisdivers.com.br

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 e Dive Master em 1990. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também prestou consultoria para a ONU, UNESCO e diversos órgãos públicos no Brasil.