Recuperando Petrechos – Uma boa atitude, mas há riscos…

Algumas vezes durante o mergulho, encontramos os chamados “Petrechos de Pesca”, que literalmente são rastros deixados pelo homem no meio ambiente.

Não é raro acabar encontrando algum pedaço de rede de pesca emaranhada junto às pedras do leito marinho.

Algumas vezes acabamos observando pedras de chumbo de varas de pescar entre os rochedos, ou por exemplo, enormes pedaços de linha também de pesca, enroscadas em pedras ou corais, o que acaba facilitando que algum animal fique preso ou até mesmo, criando a oportunidade de enrosco de algum mergulhador desatento.

Na maioria das vezes acabo realizando a remoção desses petrechos e levo para a embarcação, a fim de evitar que o objeto removido crie problemas para algum mergulhador ou ser marinho.

Mas nessas remoções, é preciso verificar se ela não irá interferir em algum tipo de vida marinha que acabou se estabelecendo no local, caso contrário, você estará removendo um objeto e, também, um ser marinho que acabou residindo em um local inadequado.

Outro risco que deve ser cogitado é quanto à possibilidade de cortes ou feridas.

Na maioria das vezes em que removo uma linha de pesca, há algum tipo de anzol amarrado à mesma, sendo que a maioria deles estão enferrujados. Num eventual corte com esse anzol, o mergulhador pode acabar sofrendo sérios ferimentos e até infecções, sendo de extrema importância estar vacinado contra o tétano.

Apesar da boa vontade do mergulhador em si, nem sempre nossa ajuda é 100% válida. É preciso estar atento durante o mergulho para não acabar sendo pego de surpresa por um desses objetos ou se ferir pelo manuseio incorreto deles.

Havendo dúvida, não tome uma atitude. Se um determinado petrecho oferecer riscos aos mergulhadores, comunique o quanto antes ao responsável pela operação quanto ao problema e procure marcar mentalmente, a localização do objeto, para um possível retorno e remoção do mesmo.

 

Remoção de anzol de um animal que não conseguia nadar e iria morrer – Foto: Clécio Mayrink

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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