Relato: Pegos pela correnteza em Angra dos Reis

Baía da Ilha Grande - Foto: Clécio Mayrink

A Baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis, normalmente tem um mar calmo e tranquilo, proporcionando bons mergulhos em toda a região das ilhas.

Numa ocasião especial, estava com um grupo de amigos comemorando a chegada do fim de ano, usando uma grande escuna para efetuar os mergulhos. Éramos uns vinte mergulhadores com experiência avançada, comemorando o fim de ano e aproveitando as belezas naturais daquele lugar.

No final da tarde daquele sábado, todos haviam retornado para a embarcação para aproveitar um churrasco à bordo, mas ainda me encontrava na água mergulhando com a esposa de um amigo, que por sinal, não tinha experiência em mergulho. Estava acompanhando ela nas águas rasas ao redor de uma conhecida ilha daquela região.

Justamente por achar que me encontrava em águas tão tranquilas, deixei minha dupla nadar à frente, e tudo ia bem até que no final do mergulho aparecesse uma tartaruga.

Naquele instante começou o problema, não por culpa da tartaruga, mas por conta da minha dupla inexperiente e com meu excesso de tranquilidade.

Com o surgimento da tartaruga, minha dupla fez o que nenhum mergulhador deve fazer: seguir e tentar acompanhar o animal.

Naquela época, isso era muito comum. Às vezes, os mergulhadores até seguravam os animais, algo inconcebível nos dias atuais. O fato é que a tartaruga disparou em direção ao “areião”, no sentido contrário ao da ilha, e isso fez com minha dupla fosse atrás como um canhão, e eu tentando alcançá-la para retornar para as pedras da ilha.

Com a diminuição da visibilidade por causa do horário já avançado, que já não era grande no dia, minha dupla parou de nadar e finalmente consegui alcançá-la, mas já era tarde. Nos distanciamos da ilha e perdemos a referência total da direção.

Como os mergulhos foram relativamente rasos, algo em torno dos 12 / 15 metros, decidimos subir e descobrir para que lado estava a ilha. Subimos vimos a direção, descemos e tentamos seguir uma linha imaginária em direção à ilha. Nadamos nadamos nadamos e nada.

Subimos novamente, e para nossa surpresa, a ilha estava mais longe. Tentamos outra vez e o mesmo resultado.

Como não tínhamos uma bússola, ficou impossível retornar mergulhando na direção correta, e pra piorar, havia uma correnteza lenta e quase imperceptível nos levando para longe. Ela contornava a ilha, tomando força a uma certa distância dela. Acabamos sendo pegos por ela e levados cada vez mais para longe, e não houve jeito, tivemos que levantar os braços na superfície e chamar a atenção dos demais mergulhadores, pedindo o resgate, que foi feito em poucos minutos depois.

Representação de uma corrente passando por uma ilha – Foto: Google Earth

O que aprendemos com isso

Por mais tranquilo que um mergulho seja, devemos sempre estar atentos quanto à navegação subaquática, sendo extremamente importante, o porte de uma bússola para que tenhamos a possibilidade de uma orientação subaquática correta.

Outro erro, é nadar em direção ao areião. É claro que uma bússola poderia ter nos ajudado a retornar para a ilha, mas não é uma certeza. Como mencionei acima, fomos pegos por uma corrente imperceptível e que nos levava cada vez mais para longe do ponto de mergulho.

Imagine se isso fosse à noite ?

Outro aspecto importante é o porte de equipamentos de segurança em todos os mergulhos. Jamais devemos iniciar o mergulho sem levar os equipamentos de segurança, como lanterna, deco marker e sinalizador sonoro, por exemplo. No final tivemos um final feliz, mas com momentos desnecessários.

Autor

MC tem 42 anos de idade, é professor e reside no Rio de Janeiro. Atualmente é Rescue Diver, com mais de 20 anos de experiência.

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Por:

Anônimo

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