Algum tempo atrás estive em Rifaina pela primeira vez a convite do Murilo Freitas da operadora Rota do Mergulho, para conhecer os cânions formados pelo Rio Grande.

A região está localizada na divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais, e foi inundada com a construção de uma represa anos atrás, fazendo com que o nível da água subisse muitos metros e alagando toda a formação rochosa ao longo do rio.

Este ano retornei ao local com um grupo de mergulhadores de São Paulo para mais uma saída de mergulho e para conhecer novos pontos explorados pelo Murilo.

A operadora está localizada bem próxima à ponte que interliga São Paulo e Minas Gerais, e através da chalana da operadora, uma embarcação bem grande e espaçosa, alcançamos os pontos mais distantes ao longo do rio, com toda a tranquilidade e sem as preocupações com as possibilidades de mal tempo normalmente encontradas nas operações de mergulho no mar. Pra quem sofre com enjoos em embarcações, nem precisa se preocupar, pois a embarcação não balança e a navegação é extremamente tranquila.

Foto: Clécio Mayrink

Mergulhos

Ao chegar nos pontos de mergulho, as equipes foram formadas e foram para a água, e na ocasião, tive a oportunidade de descer com um dos profundos conhecedores da região e já bem conhecido pelos mergulhadores, o Rui Paschoal Júnior, que foi liderando o meu mergulho e mostrando as formações rochosas submersas, além dos inúmeros cardumes que tentam se esconder enquanto íamos passando.

Como as condições de clima por lá é sempre melhor que em São Paulo, durante o mergulho podemos apreciar a incidência dos raios solares na água, gerando um belíssimo contraste e visual.

Em alguns pontos os imensos paredões vão em direção ao fundo, dando a oportunidade dos mergulhadores passarem entre esses paredões rochosos, sendo um mergulho bem diferente e interessante.

A extensão da área é grande, nem todos os pontos ainda foram mapeados, mas é possível realizar com tranquilidade mergulhos mais fundos, onde em alguns pontos ela chega alcançar os 40m, mas já se sabe que em algumas áreas ela pode chegar aos 60m, sendo um ótimo local para a realização de cursos e treinamentos de mergulho técnico.

Ao iniciar o retorno para a base após os belos mergulhos realizados, é realizado um churrasco a bordo onde todos podem almoçar com tranquilidade e apreciar as belezas naturais da região, sendo um passeio muito agradável, pois é possível contemplar o mergulho com o visual local, que com as grandes dimensões da embarcação da operadora, todos conseguem se arrumar e equipar com tranquilidade durante toda a operação e curtir o a paz da região.

Foto: Clécio Mayrink

Como chegar

Rifaina está a 480Km de São Paulo e pode ser alcançada com tranquilidade pelas excelentes estradas do Estado de São Paulo. Algumas escolas de mergulho montam com frequência grupos para mergulhar por lá e utilizam alguns ônibus de turismo, o que torna a viagem bem agradável e mais confortável, mas é possível ir com tranquilidade de carro, como foi o meu caso.

A cidade de Rifaina é pequena e possui algumas poucas pousadas, e nas duas ocasiões em que estive por lá, o Hotel Jaguara, localizado no Parque Náutico Jaguara, foi o local onde me hospedei, tendo diárias com café da manhã e a possibilidade de um custo fixo para almoço e jantar, saindo bem em conta para o mergulhador.

Após o mergulho do sábado, os mergulhadores ainda conseguem tomar um sol na “praia” do hotel e passar o resto do dia curtindo um sol e a paz local.

A operadora é a Rota do Mergulho, já consagrada pelos mergulhadores e uma referência na região, possuindo uma excelente embarcação para operações e toda a estrutura para atender desde os mergulhadores recreativos aos técnicos, que desejam realizar mergulhos mais avançados.

Vale lembrar que os meses de junho até setembro, são os meses com as melhores condições, então é uma oportunidade aproveitar agora e realizar os belos mergulhos por lá, com a vantagem de não ter que se preocupar com a água salgada nos equipamentos na hora de lavá-los, pois a água é doce !

Galeria de Imagens – Clique na imagem abaixo:

Rifaina – 2019 – Fotos: Clécio Mayrink / Google Photos

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986, participando da primeira turma de Dive Master da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho e fotografia / vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência quando o assunto é mergulho e naufrágios para a mídia e órgãos públicos no país, e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO.