Fotografar exige alguns aspectos para que a foto saia bonita, mas fotografar embaixo d’água, exige muito mais do fotógrafo, pois como sabemos, é um ambiente totalmente diferente do qual estamos acostumados na superfície.
Há uma série de detalhes que o fotógrafo precisa estar atento para obter boas imagens subaquáticas, desde a configuração de sua câmera fotográfica até mesmo a respiração e flutuabilidade.
Uma das coisas que mais me incomodam durante o mergulho, é ver mergulhadores fotografando e degradando os seres marinhos, sem dar importância aos danos causados por ele ao meio ambiente.
Pra mim, o controle de flutuabilidade é fundamental e um aluno não deveria receber seu certificado de mergulho se não comprovasse um controle total de flutuabilidade, mas infelizmente não é isso o que vemos por aí. Seja no Brasil ou no exterior, são muitos os fotógrafos e cinegrafistas que focam a atenção na captura da imagem e desprezam os seres marinhos ao seu redor, o que é lastimável, afinal de contas, estamos submersos para apreciar a natureza como ela é, e não uma natureza somente bela nas telas e fotografias.
Quando estou fotografando ou filmando, mantenho um grande controle de flutuabilidade com intuito de evitar qualquer possibilidade de toque nas rochas ou seres como um todo, pois tenho em mente, que um pequeno toque com qualquer parte do nosso corpo, poderá causar um grande transtorno aos seres marinhos, então, normalmente estou sempre lá, com as nadadeiras viradas para cima e com o domo da minha caixa estanque o mais próximo possível do objeto a ser fotografado.
Parte desse controle é ajustado com a própria respiração, inspirando ou expirando mais, para ajustar meu posicionamento.
Esse controle é fundamental e, uma vez que você tenha em mente como manter essa flutuabilidade apenas realizando esse procedimento, você nunca mais precisará se preocupar em ter que realizar o controle pelo colete equilibrador.
Se você não tem esse controle, procure estabilizar a flutuabilidade deixando-a neutra, e em seguida, inspire um pouco mais e você perceberá que suavemente seu corpo começará a subir. Expirando lentamente, o sentido contrário. Logo, com a própria respiração, você consegue alterar sua flutuabilidade e sem a necessidade de soltar as mãos da caixa estanque para acionar o power do colete equilibrador.
Você ganha em performance e, principalmente, o meio ambiente com esse cuidado maior.
Outro aspecto importante são os equipamentos soltos ao redor do mergulhador. Evite esse tipo de coisa, pois sem que você perceba, um deles poderá encostar em algum animal, e em casos mais graves, fazer com que parte destes seres marinhos se desprenda das pedras, danificando-os por inteiro.
Abaixo, uma fotógrafa utilizando um pequeno bastão de toque. Não acho a melhor das opções para evitar toques em alguma coisa embaixo d’água, mas ainda assim, diminui sensivelmente as possibilidades de danos.
Procure treinar sua flutuabilidade, não encoste ou toque nos seres marinhos e faça uma captura de imagens preservando a natureza. O final todos saem ganhando.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



