Mergulhando em Hamata – Egito

Foto: Allane Milliane

Eu sei, parece que só mergulho no Egito. Mas o que posso fazer se o Mar Vermelho é maravilhoso para mergulhar e é a opção quente mais barata próxima à Alemanha para praticar a atividade ?

Além do mais, nunca vou para o mesmo lugar, primeiro foi Marsa Alam, depois Sharm-El-Sheikh, dessa vez escolhi uma localização bem remota, onde provavelmente só há 3 hotéis e centros de mergulho: Hamata.

Hamata está localizada no sul do Egito, mais precisamente 170km de Marsa Alam, não muito longe da fronteira com o Sudão. Sua localização remota faz com que seja desconhecida para turistas, mas atrai principalmente mergulhadores e fãs de Kite Surf – já que lá os ventos são ideais para tal atividade. Mergulhar aqui significa que os pontos de mergulho nunca estão lotados, na maioria das vezes só um barco, o que é meio raro no Egito.

Então vamos direto ao ponto e deixa eu contar como é mergulhar em Hamata, Egito.

Foto: Allane Milliane
Foto: Allane Milliane

Pontos de Mergulho

A região de Hamata oferece mais de 35 pontos de mergulho, alguns próximos da costa, outros no meio do oceano onde nem dá para ver terra firme por perto. Entre eles estão os do famoso Fury Shoals, onde normalmente Liveaboards param no caminho para o Sudão. Cavernas, naufrágios, drop offs, muros, corais duros e moles, ilhas paradisíacas, tudo isso pode ser encontrado por lá.

Porque essa época do ano – inverno – venta bastante em Hamata, as águas podem ser bem movimentadas, o que dificulta o acesso à certos pontos de mergulho, sem mencionar que podem haver fortes correntes em alguns deles. Mergulhamos durante 8 dias, mas saímos sem ter mergulhado em pontos que estavam no topo da lista, como Shaab Maksour – o qual é similar ao famoso Elphinstone Reef, próximo à Marsa Alam.

Ainda assim, tivemos a chance de mergulhar em alguns pontos de mergulho maravilhosos, um deles sendo o mais lindo que já mergulhei até hoje, Shaab Sataya, onde também é possível nadar com golfinhos.

O House Reef

O house reef do hotel Wadi Lahmy Azur Resort é bem legal, o qual é acessado pelo píer que fica próximo ao centro de mergulho. Lá há duas rotas possíveis e é onde muitas pessoas reportaram terem visto golfinhos em seus mergulhos.

Shaab Claudio

Um dos pontos que fazem parte dos Fury Shoals, o qual só é acessado por Liveaboards ou por quem fica em Hamata. Shaab Claudio é conhecido por suas cavernas que ficam há somente 7m de profundidade e possuem buracos para a superfície, o que a deixa bem clara e nem um pouco assustadora.

Shaab Haman

Onde dá para passar no meio de um arco gigante e se impressionar com os corais maravilhosos por todo o lugar.

Shaab Mohamed

Onde vi Nudibrânquios pela primeira vez, e que lindos eles são !

Shaab Said

Aqui vimos um Tubarão de Ponta Branca de Recife e passamos por uma linda caverna no final do mergulho.

Shaab Sataya

O ponto de mergulho mais lindo onde já mergulhei. Lá há um maravilhoso jardim de corais, pináculos enormes e um drop off espetacular que vai até 100m de profundidade. No nosso mergulho haviam milhões de águas vivas, as quais fizeram o drop off ainda mais lindo, se destacando no azul.

Snorkeling e Mergulhando com Golfinhos

Se tem uma coisa que você certamente verá na sua viagem à Hamata, são golfinhos, e as chances de vê-los mergulhando são altas – sim, mergulhando – para quem não sabe, é bem raro ver golfinhos em um mergulho. Por exemplo, no House Reef várias pessoas chegaram a mergulhar com eles. Fiz apenas um mergulho por lá e não tive a mesma sorte.

Mas se como eu você não conseguir vê-los durante um mergulho, certamente verá do barco ou poderá ir nadar/fazer snorkeling com eles no lindo Shaab Sataya. Fiz os dois e foram experiências inesquecíveis.

Bem no meu primeiro dia em Hamata – último dia de 2015 – vimos um grupo de golfinhos nadando lado a lado com o nosso barco. O mesmo aconteceu novamente poucos dias depois. Mas o inesquecível mesmo foi ter nadado pertinho deles em Shaab Sataya, nome este que traduzido do árabe ao português quer dizer Recife dos Golfinhos. Simplesmente maravilhoso.

Golfinhos nadam rápido, mas fiz o que pude para ficar próximo deles o máximo possível. É importante mencionar que Shaab Sataya é uma área protegida e há algumas regras que devem ser seguidas por lá. Por exemplo, não é permitido tocar nos golfinhos, o toque da nossa pele tira a proteção da pele deles, podendo deixa-los doentes. Outra regra é que apenas poucos barcos (uns 2 ou 3) são permitidos por lá no mesmo dia.

Uma ilha paradisíaca

Tivemos a chance de aproveitar nosso último dia em uma ilha paradisíaca chamada Siyul, localizada não muito longe da costa. É uma área protegida por servir de ninho para os pássaros da região. Sua areia branquinha e fininha e as água claras fazem desse lugar um verdadeiro paraíso, onde é possível mergulhar e fazer snorkeling ao seu redor.

Melhor época para ir à Hamata

Mesmo durante o inverno a temperatura da água é o que considero ainda quente (mínimo de 22-23 graus Celsius) o problema na verdade são os ventos frios que não ajudam muito ao sair da água. Isso foi algo que me incomodou um pouco já que não estava esperando por essa.

Se como eu você também se incomoda com os ventos, evite então os meses de Dezembro até Março. Caso não, é possível mergulhar por lá o ano todo.

Se você for nessa época do inverno, aconselho levar moletons e jaquetas quebra vento. Em termos de roupa de mergulho, eu usei uma de 3mm e nenhuma vez senti frio debaixo d’água, mas vi muita gente usando de 5mm, 8mm e até mesmo dry suit. Fica ao seu critério.

Onde ficar

Até onde eu saiba só há 3 opções de hospedagem na região:

  • Wadi Lahmy Azur Resort
  • Zabargad Berenice Resort
  • Lahamy Bay Resort

Na minha pesquisa a opção melhor para a gente foi o Wadi Lahmy Azur Resort. Até agora foi o melhor hotel que ficamos no país, mas lembre-se de que um hotel 4 estrelas no Egito não é o mesmo 4 estrelas da Europa.

Foto: Allane Milliane
Foto: Allane Milliane

Centros de Mergulho

Até o momento, só tenho conhecimento de 3 centros de mergulho que operam em Hamata:

  • Orca Dive Club Wadi Lahmy Azur Resort
  • Emperor Divers
  • Aquarius Diving Club

Já mergulhei com o Emperor Divers antes (em Marsa Alam) e dessa vez mergulhei com o Orca Dive Club, posso recomendar os dois, mas a primeira opção é mais cara.
Como chegar

A melhor forma de chegar em Hamata é pegando um vôo até o Aeroporto Internacional de Marsa Alam e de lá pegar um transfer (normalmente já oferecido pelo hotel). Também é possível chegar pelo aeroporto de Hurghada, mas de lá é chão até Hamata.
O que achei

Confesso que esperei ver mais vida marinha por lá. Os únicos animais marcantes mesmo foram: 1 tartaruga, 1 Tubarão de Ponta Branca de Recife, nudibrânquios, blue spotted stingrays, peixes Napoleão e moréias. Fiquei um pouco decepcionada, pois vi muito mais em Marsa Alam, e por Hamata ser mais paradisíaca achei que seria bem melhor.

Ouvi dizer que a região de Hamata ainda não é bem protegida pelo governo em termos ambientais, e por isso ainda há muita pesca por lá, o que acho um absurdo e triste. Espero que isso mude em breve.

Não vi lixo nos mergulhos, mas como sempre, fiquei impressionada com a quantidade de lixo na praia; triste. A economia do Egito depende muito do turismo, e ainda assim as pessoas não cuidam do meio ambiente. Decepcionante.

Em termos de visibilidade, não achei muito boa, aliás nenhum pouco boa. A maioria dos mergulhos contaram com uma visibilidade de até 10m. Poucos tiveram boa visibilidade, que ainda assim nem é tão top (entre 15m e 20m). Perguntei à um dos guias se é sempre assim ou se é por causa da época do ano e ele me informou que nos meses mais quentes a visibilidade é melhor, quando os vento não são tão fortes. Será?

Por fim, foi uma viagem de mergulho cheia de contrastes e extremos, lindo e feio, de primeiras vezes, com visibilidade boa e ruim, ventos frios e águas mornas, um lugar paradisíaco mas não protegido. Ainda assim eu gostaria de retornar em uma outra época do ano.