Tenho visto com frequência mergulhadores utilizando o octopus de forma não recomendada pelos fabricantes, e explico.
Como todos sabem, o octopus é um regulador de segundo estágio voltado para situações de emergência e que requeiram ação rápida para um pronto atendimento, sendo preciso um acesso fácil e rápido, para que possibilite a entrega rápida ao mergulhador sem ar.
Como o octopus praticamente quase nunca sendo utilizado, muitos mergulhadores acabam fixando ele de qualquer forma junto ao colete equilibrador, e uma duas formas de fixação anda ocorrendo com frequência nas operações de mergulho… a fixação diretamente no D-ring do colete equilibrador ou fazendo meia volta no fixador de mangueiras do colete, um pequeno acessório plástico onde prendemos as mangueiras.

Quando digo “não recomendável” usar as duas formas citadas, me refiro ao tensionamento causado na mangueira em virtude da curvatura em 180º, e isso ocorre quando a mangueira é fixada no interior do D-ring ou no fixador de mangueiras do colete como na foto acima.
Essa curvatura em 180º acaba criando uma tensão muito forte no local, acelerando demasiadamente o desgaste da borracha, facilitando o surgimento de rachaduras com o tempo, e tendo como consequência, o rompimento da mangueira em dado momento, podendo ser inclusive, durante o mergulho.
Criando essa meia volta, essa tensão diminuirá o tempo de vida útil da mangueira em si, obrigando a substituição da mesma em tempo inferior.
Alguns fabricantes possuem no colete equilibrador um nylon com velcro justamente para fixar o octopus, que pode ser uma boa forma alternativa para a fixação, desde que o mergulhador não coloque a mangueira dando meia volta como na foto acima.
Procure deixar a mangueira do octopus com o mínimo de curva possível. Se a mangueira for muito longa, você pode fixá-la no D-ring no ombro esquerdo, por exemplo.
Uma boa forma de fixação, é utilizar um protetor de bocal na cor amarela fixado no d-ring do ombro esquerdo do mergulhador, ou então, um pequeno mosquetão para segundo estágio do regulador, muito usado pelos mergulhadores técnicos.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



