Esse é um tema recorrente aqui no Brasil Mergulho, e há um motivo pra isso.

Tenho notado um aumento de mergulhadores recreativos realizando a fixação da mangueira do Octopus de uma forma que acaba prejudicando muito o equipamento no que diz respeito ao tempo de vida útil… a fixação curvada em 180°.

Nesse formato de fixação, a mangueira do Octopus é colocada na trava de mangueira presa ao colete equilibrador e é dada uma volta de 180° na mangueira, colocando Octopus posicionado para trás.

Como vantagem, o mergulhador evita que:

  • A mangueira não fique esticada
  • O octopus não fica solto
  • Gera menos arrasto
Octopus solto – Foto: Clécio Mayrink

Esforço na mangueira

Quando a mangueira do Octopus é fixada curvada em 180°, há um grande esforço estrutural na borracha na área da curva, e ao longo do tempo, com o contato com a água salgada e a exposição ao sol, ocorrerá um desgaste infinitamente maior nessa área onde está sendo feita a curva, e de uma hora para outra essa mangueira terá fissuras até se partir de forma repentina.

Por regra, toda mangueira de mergulho deveria ser trocada a cada cinco anos, coisa que poucos acabam fazendo, e levando em consideração esse esforço em demasia por causa dessa curva forçada, ocorre um “estresse” na mangueira, aumentando as chances dela se romper de forma inesperada, podendo deixar o mergulhador na mão dependendo da situação em que isso ocorra.

Foto: Clécio Mayrink

Métodos de fixação

Definitivamente a fixação curvada não é a melhor, mas existem formas mais adequadas de fixar o Octopus em seu colete sem prejudicar a mangueira.

Alguns coletes possuem um acabamento em nylon para a colocação da mangueira, mas se não for este o seu caso, existem prendedores de Octopus normalmente fabricados em silicone e em tons mais fortes de cores, justamente para chamar a atenção embaixo d’água.

Alguns exemplos:

Foto: Clécio Mayrink

Em ambos os casos, o Octopus é fixado por um anel ou por uma “capa” de silicone. Havendo a necessidade de uso, basta puxá-lo e rapidamente ele se soltará, ficando disponível para o fornecimento de gás.

Se o Octopus chega a incomodá-lo durante o mergulho, talvez seja a hora de você começar a pensar em adquirir um Octopus do tipo integrado. A grande vantagem é a eliminação de uma das mangueiras, pois ele utiliza a mangueira de enchimento do colete para fornecer o gás ao mergulhador durante uma situação emergencial.

Devo lembrar que configuração cada um tem a sua e devemos respeitar isso.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986, participando da primeira turma de Dive Master da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho e fotografia / vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência quando o assunto é mergulho e naufrágios para a mídia e órgãos públicos no país, e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO.